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Querida, com muito prazer estive durante 9 horas lendo o seu livro. Notei que a primeira parte é científica e imparcial,
o que demonstra sua responsabilidade para com a verdade dos fatos comprovados e dos estudos sobre o complexo
funcionamento do corpo humano, num sentido holistico ou integral. Em muitas passagens me enchi de entusiasmo, em outras tive uma espécie de desânimo por ver que as coisas não são fáceis do ponto de vista científico e que existe uma gama de componentes separados em órgãos que, entretanto, agem interligados na corporalidade humana, tornando difícil uma transformação ideal e verdadeira. Em nenhum momento você foi parcial, defendendo o lado profissional a que se dedica. Muitas vezes foi crua, de um realismo chocante nas suas revelações. Mostrou-nos que o caminho é longo a percorrer e que temos muito que conquistar e descobrir por dezenas ou centenas de anos até que cheguemos próximos à perfeição. Esta perfeição nunca será para nós, mas estamos abrindo caminhos para as futuras gerações, assim como cientistas e transsexuais do passado abriram caminhos para nós. Esta é a sobrevivência do ser humano como raça neste Planeta e sua perpetuidade que tem se mantido por séculos, sempre num crescimento, às vezes rápido, outras vezes lento em todos os setores humanos e, no caso, nos nossos interesses transsexuais. Confesso que algumas vezes me chateei com todo o emaranhado científico, não por achá-lo enfadonho mas por descobrir as dificuldades imensas para o nosso meio. Você foi magistral nesta primeira parte. Em nenhum momento criou ilusões descabidas em nossas mentes ávidas por informação especializada. E quando informou da parte positiva do que temos conquistado não deu ênfase sensacionalista e mostrou a realidade despida de quaisquer artifícios ou erudição, mostrando-nos que as coisas fáceis em nossa área são poucas, mas que é o que temos por enquanto. Gostei das informações e vejo que você conseguiu condensar no compêndio uma base para nosso conhecimento, o que faz de você uma autoridade no assunto, não só pelo seu livro mas pela sua ação constante no desenvolvimento de nossas personalidades, redesignação, apôio. O lado científico é importante e vital. Mas eu sou uma romântica e gosto também de sonhar e de interagir com as experiências de pessoas que como você e como eu estamos trilhando caminhos de reconstrução de nós mesmas. Por isso a segunda parte me emocionou demais, quando a mulher Martha, com toda a sua força feminina, se manifestou protestando, contando sua história e de outras pessoas que andam por esses caminhos, com momentos muitas vezes tristes, mas ao mesmo tempo confortadores por inferirmos, através dos relatos, que a luta é possível e válida e que devemos sempre seguir com coragem para não desmerecermos aos que nos antecederam e para não decepcionarmos os futuros com inércia e conformidade que seriam prejudiciais para o desenvolvimento da humanidade. Cada vez eu tenho maior admiração por você e por seu trabalho. O livro é magnífico. Parabéns. Obrigadíssima por você existir e estar nesta causa. Que os espíritos superiores te abençoem e que a humanidade cada vez mais sorva da tua sabedoria e da tua dedicação. Que a comunidade científica siga o teu exemplo e que não nos veja sempre com a ressalva de que somos impostoras, impedindo com esta atitude o nosso desenvolvimento. Beijos e muito aché para você. Luciana Carrero, transsexual, Butiá -RS beijos, Luciana |
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25 - 12 - 2005 - Hoje é domingo, é natal e é o último dia da décima terceira semana. Nada de especial a relatar, apenas o fato de que passei alguns momentos, hoje à tarde, admirando meu lindo quadril. Antes de começar a tomar o Cecy eu pensava em fazer uma lipoescultura para aumentar e arredondar um pouco mais o quadril. Agora, nem penso mais nisso, meu quadril está lindo.
01 - 01 - 2006 - Hoje é o primeiro dia de 2006 e o último dia da décima quarta semana de uso do Cecy. O crescimento dos seios continua em um ritmo muito bom. Uma coisa que eu gostaria de registrar é que não fumo e nem faço uso de bebidas alcoólicas, nem mesmo socialmente. Pode ser uma informação relevante. 07 - 01 - 2006 - Hoje é o penúltimo dia da décima quinta semana de utilização do Cecy. O crescimento dos seios continua bom e começo a sentir um novo aumento na sensibilidade dos mamilos. È curioso, parece um ciclo no qual a sensibilidade aumenta durante uns dias e depois desaparece durante algumas semanas. O interessante é que esse aumento de sensibilidade é sempre acompanhado de um incremento muito significativo no tamanho dos seios. Como se a velocidade do crescimento aumentasse durante os dias em que a sensibilidade está maior. Vamos ver se isso ocorrerá dessa vez. 15 - 01 - 2006 - Último dia da décima sexta semana. O processo continua. Tenho percebido uma coisa interessante: a lentidão do processo, apesar de trazer alguma ansiedade, proporciona um benefício psicológico curioso, pois é como se eu pudesse voltar no tempo e passar por aquele processo que toda garota passa na puberdade. O desenvolvimento gradual dos seios, a definição das curvas, as expectativas em relação ao "produto final". Acompanhar todo esse processo de desenvolvimento da feminilidade proporciona um certo prazer psicológico, um resgate do que me foi negado pela natureza no passado. Ao mesmo tempo é algo intrigante. Tenho 28, e me hormonizo desde os 17. Depois dos três ou quatro anos inicias de hormonização, o processo estacionou e a continuação da hormonioterapia apenas mantinha o resultado que havia conseguido durante os anos iniciais. Por que, agora, depois de anos, o processo foi reativado? Como o Cecy faz isso? Se fosse apenas uma questão de crescimento de seios, até que não me causaria tanto estranhamento, mas TODO o processo de feminização foi reativado, sinto as mudanças em TODO o meu corpo! Como, cientificamente, isso se explica? De que forma o nosso DNA é reprogramado para que o processo da puberdade retorne, em mais, retorne em uma versão feminina? Como explicar, cientificamente, essa poção mágica? Haverá, ao menos, uma "explicação quântica" para o fenômeno? Tantas mulheres poderiam se beneficiar com o Cecy e produtos semelhantes! Hellen de Pernambuco. |
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Sou clínico geral e médico de família na cidade de Belo Horizonte (MG) e
atuo com populações sócio-economicamente desfavorecidas. Recentemente
recebi um paciente de 26 anos de relatou seu desejo de usar hormônios
femininos para desenvolvimento de caracteres sexuais femininos
(mamas, quadril, etc), mas que gostaria de fazê-lo com segurança, ou
seja, com acompanhamento médico. Pedi um tempo ao paciente para que
eu pudesse me respaldar técnico-cientificamente da questão. Solicitei,
então, uma interconsulta com um psiquiatra e um endocrinologista de apoio,
porém a única afirmativa de ambos era que se eu cedesse ao desejo do
paciente eu estaria sendo "anti-ético" em forçar contra a sua natureza
(biologia) masculina, ou seja, eu nada deveria fazer em prol do desejo
deste paciente. Fiquei muito frustrado em saber que esta opinião era
compartilhada por diversos outros profissionais de saúde e que eu não
teria como dar uma resposta a este rapaz tão angustiado, mas ao mesmo
tempo tão determinado a seguir seu caminho. Agora, pergunto, o que posso
fazer para ajudar este rapaz, sem ferir a ética médica e ao mesmo tempo
respaldar-me legalmente. Agradeço desde já o apoio, Fernando Dornas. |
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Desculpe-me não ter lhe enviado o retorno até então. O fato é que além da minha
interminável jornada de trabalho, ainda aguardo uma resposta definitiva do caso.
Mas, colocarei vc a par do que vem ocorrendo até o momento. Bom, após receber sua resposta, entrei em contato imediatamente com o serviço de saúde mental do BHvida (munido com seu e-mail, claro) e expus o caso do jovem em questão, abordando todas as dificuldades que eu e minha equipe já havíamos enfrentado nesta empreitada em busca de uma solução para ele. Fui muito bem recebido por uma psicóloga e uma psiquiatra recém chegada à Belo Horizonte. Tivemos uma reunião muito proveitosa na qual firmamos laços de cooperação mútua para tentarmos solucionar (ou pelo menos encaminhar responsavelmente) esta e tantas outras questões tão esquecidas (e por que não dizer, desprezadas) pela saúde pública, principalmente as questões referentes à afetividade e sexualidade humana. Enfim, nesta quarta-feira, recebi um telefonema da psicóloga dizendo que já agendou uma primeira consulta para o meu paciente na próxima terça-feira (22/03). E é só o que tenho no momento (que já significa muito para mim e para meu paciente). Martha, realmente tenho que agradecer por este enorme apoio que vc nos deu. Você (seu e-mail) tornou-se uma incrível e eficaz parceira nas minhas investidas contra tanta incoerência e preconceito. Sei que muitas águas vão rolar, mas, como se costuma dizer lá no interior de onde vim: "quem está na chuva, tem que se molhar..." Abraços, Fernando Dornas Silva PS: Ah! Você tem total autorização para publicar meus e-mails. Se lhe parecer melhor, poderá me identificar tranqüilamente. Não há nada a esconder ou temer. |