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Twm
Ptah

F

 

 

 

        

        

        

        

       Por Clara Maria Dufresne, Ph.D.

 

Aos Imortais Mestres de
Ta-meri (Kmt)

citação de

René Schwaller de Lubicz

Em “Le Temple de L`Homme”, Ëditions Dervy, 1998 (1957)

que faço também minha

 

 

 

 

 

 

 

 

 


      O olho de Hr, que tudo vê, que tudo sabe.

Quel poème que l`analyse de F !

Paul Valéry

em sua carta ao autor em

“Le Nombre D`Or”de Matila Ghyka

10ème edition, Gallimard, 1931

 

 

Que equívoco lamentável, oh mestre!

       No  “avant-propos” de sua grande obra “Le Nombre D`Or”, o mestre Matila Ghyka cometeu um lamentável equívoco, que em prol da verdade, que eu busco e que ele buscou, e que ambos, cada um a sua maneira encontramos, eu não posso me esquivar de comentar;

       Rememorando os notáveis Pitágoras, Platão, Vitrúvio, Nicômaco de Gerasa, Pacioli, Kepler, Descartes, Russel e Einstein, ele enaltece a aventura intelectual da “Raça Branca”!

       Que equívoco lamentável esse oh grande mestre! Como eu lamento!

       Desconsideraste o aprendizado fundamental de Pitágoras e Platão em Pe e Anw em Kmt, onde aprenderam dos sábios de Kmt o que sabiam;

       Desconsideraste que Kmt é a civilização negra e africana por excelência, onde tudo começou, não só o conhecimento de Pitágoras e Platão, mas inclusive a nossa humanidade...

       Neste sentido então, muito mais devemos à “Raça Negra” que a qualquer outra “raça” , oh mestre Ghyka!!!

       Mas antes de Negros ou Brancos somos HUMANOS: agradeçamos e louvemos antes de tudo nossa humanidade!

       E nos esforcemos para sermos dignos da humanidade que recebemos de nossos antepassados que vieram de África, mãe de todos nós!

       Infelizmente nos dias em que viveste, oh mestre, os brancos equivocadamente ainda se consideravam superiores...  a culpa não era tua, mas do tempo em que viveste...  mas o equívoco, para alguém de tua estirpe, é lamentável, oh mestre!Não posso deixar de salientar. Mas certamente, tua grande obra é muito maior do que qualquer de teus equívocos!

 

 

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       


      Inscrição hieroglífica arcaica e pré dinástica, encontrada por Sir Flinders Petrie, mostrando a origem africana e negra da civilização egípcia.

      Como bem observou Champollion, a escrita sagrada (Mdw-Ntr) ou hieroglifos, aparece pronta, acabada, no coração de África desde o período pré-dinástico, onde e quando foi concebida.

 

 

Ntr

       Em Kmt (Egito) chama-se “Ntr” (pronuncia-se Neter) todo princípio vital na natureza.

       Para Kmt, cada princípio vital se concretiza na natureza, como um fenômeno específico, como um animal ou um vegetal... como uma forma ou uma realidade existencial.

       No Ocidente Ntr tem sido erroneamente traduzido como “Deus”.

       Existem muitos Ntr (o plural de Ntr é Ntrw) ou muitos princípios vitais na Natureza e no Universo... no Céu e na Terra... mas todos podem ser sempre parciais e relativos, portanto potencialmente mortais.

       Existe apenas um princípio vital absoluto, subjacente a toda ação relativa. Esse princípio vital essencial é chamado Ntr Ntrw (traduzido no Ocidente como Deus dos Deuses)...  ou ainda melhor, o princípio vital tão desconhecido que se desconhece seu nome e mesmo sua realidade.

 

 

F

A Origem

De

Tudo

 

 

 

Entidade e não quantidade

       Em Kmt o número transcende a matemática;

       Como sabemos, num sentido Ocidental e analítico, que é quantitativo e superficial, o número não é uma entidade, mas uma quantidade que serve como medida e comparação. Ontologicamente, na matemática, aritmética e álgebra, assim como no cálculo, o número não passa da constatação quantitativa de uma diversidade assumida e estabelecida como ponto de princípio.

       Em Kmt o número é uma entidade, com um valor ontológico específico, independentemente de qualquer quantidade.

       No sentido quantitativo e exotérico, o número é uma quantidade contida em um universo de variedades;

       Em Kmt, em sentido qualitativo, esotérico e ontológico, o número significa um universo. Cada número significa lógica e ontologicamente um universo próprio.

       Para nossa mentalidade Ocidental e analítica, a matemática contém os números;

       Para Kmt, de forma vital e analógica , o número contém a matemática.

 

      Sendo assim, na nossa matemática Ocidental, quantitativa e superficial, podemos usar frações de forma ilimitada, admitir a quantidade zero, a quantidade infinita, a quantidade infinita ou quanticamente pequena;

      Representando quantidades como coisas ideais e fictícias, o número poderia ser negativo, sem deixar de ser um número;

      Em Kmt o zero não existe, nem o infinito. Tanto o zero como o infinito não tem uma realidade ontologica em si... Porque simplesmente eles sempre estariam contidos ou identificados no 1. Sempre não seria zero, mas UM ZERO.... ou não seria infinito, mas UM INFINITO.... ou seja o que existe onticamente como entidade lógica é o 1.

      Mais adiante, quando falarmos de 1, 2.... dos números inteiros e dos números primos... pares e ímpares.... frações de números inteiros....f... ou relações de f, deve-se entender sempre no sentido ontológico da entidade f e o que essa entidade representa e significa, e não apenas na quantidade.

 

Ntr Ntrw

       Muito pouco pode-se saber de Ntr Ntrw.

       Pela teologia de Anw (Heliópolis), a ação de Ntr Ntrw pode ser reconhecida como Twm, como o Princípio Vital que dá origem ao real... ao nosso Universo.

       Todo Universo é uma variedade, uma multiplicidade que sai da unidade.

       Portanto todo universo está relacionado ao número 2 (sen), como essência da multiplicidade. Afinal, para haver universo, tem que haver o um e o outro, senão não seria universo. Não existe universo sem a multiplicidade de um outro que reconheça esse universo.

       Portanto Twm, a ação de Ntr Ntrw, foi a quebra da unidade em multiplicidade gerando um Universo.

       Todo e qualquer Universo é gerado pela transformação da unidade em multiplicidade, do 1 em 2.

       Neste Universo, 1 fez-se 2, através de f (Twm).

      F é um número irracional que caracteriza a harmonia com que se desenvolve este universo humano, animal, vegetal e mineral, como é percebido pelos humanos.

      O número f (a função f, conhecida como Ntr Twm) caracteriza este Universo, e a geração deste Universo por Ntr Ntrw.

 

        Para maiores detalhes sobre o número f leia-se “Le Nombre D`Or” de Matila Ghyka.

 

 

 

       Do 1 surgiu o Céu (Nwt), e de Nwt surgiu a Terra (Gb);

       O 1 se fracionou em 1/f  e surgiu Nwt;

       Nwt se fracionou como 1/f e gerou Gb;

       Então Nwt é 1/f  e Gb é 1/f x 1/f=1/f2;

       Assim Gb é a primeira superfície, a superfície 2, o quadrado de lado raiz de 2, ou mesmo o número linear 4 ou o 2 piramidal;

       Mas o número, seja 1, 2, f, f2 ou qualquer outro, inteiro e positivo, em Kmt nunca representa uma quantidade, mas um condicionamento, uma limitação da realidade, um caminho necessário que a realidade deve seguir, no Céu (Nwt) ou na Terra (Gb);

       Na realidade o 1 não é o número algébrico 1, mas é I, a entidade I;

 

       O 2 não é o número algébrico 2, mas

I

I I

 

       O 3 não é o número algébrico 3, mas

I

I I

I I I

 

       O 4 não é o número algébrico 4, mas

I

I I

I I I

I  I  I  I

E o 5 não é a quantidade 5 mas

I

I I

I I I

I I I I

I I I I I

No 4 vemos 9 circundando a unidade 1.....

No 5 vemos 12 circundando a trindade 3.....

O 9=3 x 3 tem um significado especial... em Gb;

O 12 tem um significado especial..... em Nwt;

12/9=4/3.... a harmonia entre o céu e a terra, como a harmonia musical, na quarta relação de um acorde...

 

f

       Pode-se entender melhor o que isso significa através de um exemplo simples:

       Imagine um cavalo livre, num pasto enorme.

       O cavalo tem total liberdade de caminhar na direção que quiser nesse pasto incomensuravelmente enorme.

       Ele é livre, e pode caminhar em liberdade e caoticamente pelo pasto, como se tudo se passasse ao acaso.

       Mas ele não pode voar, nem sair da superfície, mesmo incomensuravelmente grande, do pasto. O pasto não tem cercas, mas é sempre uma superfície de pasto. Existem condicionantes (o pasto) aparentemente invisíveis para a liberdade do cavalo, mas esses condicionantes são parte da essência do cavalo e da realidade de seu universo. Afinal, se não existisse o pasto, não existiria o cavalo.

       O pasto é o resultado de um f do universo do cavalo, como nosso universo também tem um f, uma limitação não necessariamente espacial, mas certamente condicionante, e um condicionante harmônico do desenvolvimento deste universo. Nosso universo é o resultado da ação de f.

      O f significa o que gera e o que limita este universo, harmonicamente.

       1, f e f2..... regem e criam harmonicamente este universo.

 

        Para se compreender melhor esta forma de percepção egípcia do real, pode-se ler  “Le Temple de L`Homme” de René Schwaller de Lubicz

 

 

 

Quantidade e Realidade

       Nossa ciência Ocidental, analítica e dialética, ignora como ponto de princípio a existência de um elemento limitante e condicionante, e se preocupa apenas com o cavalo: seu esqueleto, sua evolução, seu organismo, sua comida, seus movimentos.... sua  evolução livre, apenas condicionada por oportunidade, luta e meio ambiente;

       Por isso a evolução parece ao acaso, devida a esses condicionantes contingentes num universo de liberdades intrínsecas;

       Kmt sempre sabiamente pensou diferente, se preocupando mais com o pasto que com o cavalo... afinal o cavalo é fruto do pasto, e o que interessa mais Kmt são a raiz, o tronco , os galhos e as flores do pasto;

       A analítica e a dialética se preocupam com o COMO do cavalo;

       Kmt se preocupa com O QUE É  e PORQUE EXISTE o pasto, e COMO do pasto surge o cavalo.

 

 

F na genética: outro exemplo

Imagine um gene em um indivíduo qualquer, um humano ou uma bactéria, e uma mutação desse gene provocada aleatoriamente;

Imagine esse indivíduo lutando, num meio ambiente, por sobreviver e transmitir suas características genéticas, se reproduzindo;

Imagine que ele teve sucesso, e transmitiu o seu gene;

Se a mutação estiver de acordo com f de alguma forma na simetria ou funcionamento desse gene, de forma a promover e transmitir características harmônicas com f na descendência, essa mutação sobreviverá e prosperará. Caso contrário será ou letal, ou promoverá deformações que inviabilizarão o novo organismo, que de uma forma ou outra será inviável e se mostrará inviável. Ou não viverá, ou não procriará...;

Porque como o cavalo está condicionado ao pasto, e é livre DENTRO DO PASTO, o gene e suas mutações são livres, mas viáveis apenas se na HARMONIA DE F.

 

O caramujo

       A casa do caramujo se desenvolve em espiral, naturalmente, dependendo das características genéticas do caramujo;

       As voltas da carapaça do caramujo, qualquer caramujo, se desenvolve numa espiral, dependente de f, não só em sua ontologia, mas mesmo em sua geometria;

       Se um gene do caramujo sofrer uma mutação qualquer, que leve sua carapaça a se desenvolver de outra forma, o caramujo fica inviável e não prospera;

       Só prosperam mutações condicionadas e que levem a condicionamentos harmonicos com f;

       O f está para a genética e os resultados da genética, assim como o pasto está para o cavalo.

 

 

Acaso ou necessidade?

      Em filosofia muito se discute, se a evolução das espécies se dá por acaso ou por necessidade;

      Uma posição materialista, opta por acaso;

      A deísta opta por necessidade e finalidade;

      Os egípcios sabiam que ambas eram verdadeiras.

      Em parte existe o espaço para o acaso (o cavalo caminha para onde quiser no pasto), mas também para a necessidade (o condicionamento do cavalo a uma superfície específica e limitante de sua liberdade).

      O condicionante de nosso universo, os egípcios sabiam que era a harmonia determinada por f, um número irracional que determina as proporções e os ritmos harmônicos em que nosso universo se desenvolve e se conforma.

 

Como se desenvolve o universo

       Em ciclos, regidos por harmonias, determinadas por proporções de 1, f, f2, ou seja, em proporções triangulares determinadas por 1, f e o quadrado de f.

       A presença de f2 evidencia a importância geométrica do quadrado e do retângulo no desenvolvimento da harmonia de f (e assim do cubo e do paralelepípedo) além das formas triangulares e dodecaédricas ou piramidais;

       Em Kmt, a esfera não tem forma, ela sempre envolve qualquer forma;

       Esses ciclos e essas regências governam a terra e o céu, e o universo humano e sua história: o passado, o presente e o futuro.

       Esse governo condiciona mas não determina.

       Resta sempre o espaço para o condicionamento intrínseco de f e um acaso contingente onde prevalece o livre arbítrio.

 

 

 

O conhecimento de f em Kmt

       Não existe em Kmt uma palavra, ou uma fórmula, ou uma descrição que explique o conhecimento de f  e de sua importância na geração da realidade;

       O conhecimento de f sempre foi secreto em Kmt, reservado aos sábios e aos mais sábios entre os possíveis sábios;

       O conhecimento de f é teológico e secreto, aparecendo apenas na teologia de Anw (Heliopolis) como Twm, e na teologia de Pe (Menphis), como Ptah;

       Note-se que o hieroglifo (mdw Ntr) que simboliza e significa o Ntr Ptah, mostra alguém embalsamado, preso, limitado pelo condicionamento de panos...  mostrando a ação limitadora e condicionante de f;

       O que existe em Kmt, por outro lado, é a aplicação de f  em todas as artes  e na arquitetura e cosmologia (astronomia) de Kmt;

       As pirâmides foram construídas com base em f;

       Os templos, de Luxor e Karnak foram construídos levando em consideração as relações harmônicas de f;

 

 

       O papiro Rhind, escrito em hierático sobre a matemática de Kmt, mostra em todos os seus exercícios e exemplos, funções harmônicas de f.

       O papiro Rhind mostra a notação das frações em Kmt, que sempre se baseiam em frações de 1, como 1/n, sendo n um número inteiro;

       A única fração com numerador diferente de 1 é 2/3;

       No papiro Rhind se desenvolve o cálculo de valores de 2/n, que como veremos adiante dependem dos números triangulares como compreendidos em Kmt;

       Por analogia, eles calculam o valor e relações  de 2/n, para n=3,5,7,11... (números ímpares e primos ), nos problemas do papiro Rhind, e dão um método geral para todos os números ímpares e primos.

       O papiro Rhind mostra como era a trigonometria em Kmt, baseada sempre em relações fracionárias triangulares, e não em partes de círculos;

       No papiro Rhind nunca existe uma menção específica ao número f. Ele emana como uma consequência  analógica e harmônica de todos os exemplos do papiro.

 

 

      A seguir apresento uma tabela da geração dos números triangulares até o número 18.Eles são entidades, contruções à partir do 1 e do 2, construído à partir de f;

      Nesta tabela percebe-se as relações entre os números triangulares r e os números naturais ou lineares L;

      Naturalmente dessa tabela, pela relação simples de r/L surge a série de números 2/n.

 


 

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       


      Desta tabela de números triangulares vemos os cálculos simples de muitas proporções. De r/L temos a série 2/n, tão importante no papiro Rhind;

      Na tabela que apresento a seguir, temos:

      De r/n, vemos as proporções harmônicas na música, entre uma e outra oitava;

      De r/(n+2), vemos outras harmonias importantes, usadas na construção do templo de Luxor, por exemplo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


F e os números triangulares r

       

       

      Vimos que os números r dão origem, quando em relação com os números L (naturais, lineares), à série 2/n;

      Dos números r e dos 2/n obtemos a harmonia em música e em importantes relações trigonométricas na arquitetura de Luxor em Kmt;

      O que tem f a ver com isso?

      Porque tanta importância nesse número como função especial?

      Qual sua relação com os números triangulares?

 

      Não podemos esquecer que f é Twm ou Ptah, ou seja, ele é um princípio vital e funcional, uma entidade e não apenas uma quantidade;

      Como vimos é através de f  que a unidade se fraciona em multiplicidade, em 2;

l       g através de f   g  l

l  l

O que quer isto dizer? Qual o poder transformador de f da unidade em dualidade, gerando a multiplicidade de um universo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


      Da figura vimos que r2 como o triangular dois, se compõe de 1 e de 2, ou seja, um triângulo retângulo de lados 1 e 2 dando como hipotenusa a raiz de 5.

      Por outro lado, veremos a seguir que esse triângulo que define r2 é gerado pelo fracionamento de 1 por f.

      Assim o r1 chega ao r2 através da ação fracionária e assim criadora da multiplicidade de Twm (Ptah).

      Para tanto, usaremos na figura a seguir do artifício de usar o mesmo triângulo com lados 1 e 1/2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Gnomon

      Na figura anterior vemos que o número r2 corresponde a um triângulo retângulo de lados 1 e 2.

      Para sequencialmente, à partir desse triângulo chegarmos ao r3 acrescentamos, superpusemos um outro triângulo retângulo de lados 2 e 3. Esse triângulo complementar chamamos de gnomon.

      Ou seja, chamamos de gnomon o triângulo complementar entre um número triangular e seu subsequente.

 

       Continuando a construção com base em triângulos que se acrescentam a cada número triangular crescente (cada novo triângulo como um gnomon triangular diferente dos gnomons depois adotados pelos gregos que eram sempre lineares), temos um desenvolvimento espiral, à partir da função f mostrando a relação de f como gerador do 2 triangular e à partir daí de todos os números triangulares, que crescem como uma espiral à partir dos gnomons triangulares;

       Gnomon defino como o acréscimo de um número triangular com relação ao seu predecessor. Assim, o gnomon de r1 é o triângulo reto de lados 1 e 2, ou o r2. O gnomon de r2 é o triângulo retângulo de lados 2 e 3, o gnomon de r3 é o triângulo retângulo de lados 3 e 4, e assim sucessivamente...

       Note-se que no r2 gerado por Twm à partir de r1, o triângulo 2 tem um lado 1 e outro 2. No lado 2, acrescentemos o triângulo complementar de lados 2 e 3 (gnomon triangular de r2), para chegarmos ao r3 e assim sucessivamente com r4, r5, em diante...

       Assim tudo se desenvolve neste universo: os organismos, as tempestades, as economias... em proporções crescentes ou decrescentes em função de f;

       Neste sentido f como entidade, como fator fracionante da unidade, gera este universo, como Twm ou Ptah.

 

F se desenrola como Música

A série que divide 1 em 2 conforme f então é a série dos gnomons triangulares, que numericamente nada mais são que a serie r/n como mostrado nas tabelas anteriores, ou seja:

½, 2/3, ¾, 4/5, 5/6, 6/7, 7/8, 8/9...tendendo a 1/1 onde:

½ é a oitava;

2/3 a quinta,

¾ a quarta,

8/9 um tom

Isso é harmonia em música....  como na realidade!

Ao mesmo tempo esses números são os lados dos triângulos retângulos dos gnomon na construção dos números triangulares à partir de f !

Veja na figura a seguir como esta série musical se desenvolve, não como uma sequência de sons harmônicos descontínuos, mas como uma sequência genética contínua.

Assim como com os sons fazemos sinfonias e polifonias, a realidade harmonicamente se desenvolve como vida e como história...

Tudo isso à partir de f, ou seja, como Twm fraciona a unidade gerando a multiplicidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Séries triangulares à partir de f

      Esta série fundamental à partir do triângulo que caracteriza a ação de Twm  fracionando a unidade, conhecida em Kmt, deu origem a outras, como a série de duplos à partir do mesmo triângulo fundamental, e a série de f, f2, f3, f4, f5, etc.

      Vide a próxima figura para compreender como foi gerada a série f e o consequente retângulo f EM KMT E NÃO NA GRÉCIA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


F percebe-se no número r2

      Os egípcios perceberam que no número r2 f estava inserido, ou seja, ele dera origem ao r2 à partir do r1;

      Daí séries de gnomons, à partir dessa fração inicial, criam a realidade, seja na série r/n (na espiral mostrada anteriormente numa figura), seja através da série f,f2,f3, seja através da série 2n.

      Na figura a seguir veja a geração da série 2n.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Todas as séries (gnomons e espirais) à partir de r2 que surgiu da fração de 1 por f (Twm):
r/n
f,f2,f3...fn
2n

Por outro lado, muito tempo depois, os gregos da “raça branca”de que fala Matila Ghyka, chegaram a resultados semelhantes aos que haviam chegado milênios antes deles os sábios da “raça negra”de Kmt, seus mestres...

 

 

      Muito depois dos sábios de Kmt, com quem aprenderam Pitágoras e Platão nos templos do Baixo Egito (onde eram aceitos estrangeiros), Euclides que foi discípulo deles  dizia:

“A proporção (analogia) é a equivalência das relações entre grandezas homogêneas”

O que podemos explicitar algebricamente como:

a/b=c/d

Por outro lado, aplicando a dois segmentos de reta, por exemplo:

A-------------B-----C

AC / AB = AB / BC e pode-se exprimir assim o que definiu Euclides como fração de um comprimento em média e extrema razão, ou seja, a fração assimétrica mais “lógica” e harmônica.

 

       Para um segmento de reta

A_______a_______B_____b____C

em que vale a relação harmônica entre média e extrema razão, temos:

AC=a+b

AB=a

BC=b

AC/AB = (a+b)/a = a/b

       Dividindo-se ambos os lados dessa equação por b se obtém:

(a/b)2-(a/b)=1

e

a/b= {[(raiz de 5)/2]+(1/2)}

que Matila Ghyka definiu com o nome de número f (em Kmt identificado com o Princípio Ativo ou Ntr Twm ou Ptah)

Na Idade Média se chamava essa proporção de “divina proporção”, como chamava Leonardo da Vinci.

Em Kmt essa proporção simplesmente não era pronunciada...ela não tinha um nome. Ela foi reconhecida como um Princípio Vital e não apenas como quantidade. Assim, como Ntr, foi conhecido como Twm em Anw (Heliopolis) e Ptah  em Pe (Menfis).

 

 

 

 

      Desta proporção f que em Kmt era conhecida como a ação vital de Twm ou Ptah, encontram-se as  relações geométricas harmônicas principais:

    F  no retângulo;

    F no pentágono e no pentágono estrelado;

    F no decágono;

    F no icosaedro;

    F no dodecaedro;

      Em toda realidade:

    F nas cores e na música;

    F na gênese dos organismos, animais e vegetais;

    F na geração de toda realidade...

    F nas séries numéricas que mostram as proporções naturais de crescimento e de desenvolvimento...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Série 1/f:

        1/1, 1/2, 2/3, 3/5, 5/8, 8/13, 13/21, 21/34, 34/55, 55/89, 89/144........ 1/f ;

        Série 1/f2:

        ½, 1/3, 2/5, 3/8, 5/13, 8/21, 13/34.... 1/f2 ;

        Daí os números de Fibonacci:

        1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


      Coincidência?

      Não!

      A forma como se desenvolve o feto de um mamífero, inclusive o humano apresentado na foto, não é uma mera coincidência.

      É mesmo consequência da ação de f,  como todo o real sofre a consequência da ação de f, em sua geração, inclusive o homem.

 

 

 

 

      Mas isso parece magia!

      Isso é magia!!!!

      Qual o segredo e o mistério da magia egípcia?

      Conhecer e reconhecer a ação de f em tudo!

      Qual o poder dessa magia?

      O saber sobre a geração da realidade, ...

 

       Vemos no feto a ação de f;

       Vemos nos girinos, vemos nas samambaias, vemos nos caracóis;

       Vemos nas flores, nas folhas, nas ramagens, em toda botânica;

       Vemos no pentágono, vemos nas simetrias de Leonardo da Vinci;

       Vemos nas pirâmides de Khu-fu, Khf-en-Ra e de Sn-f-Ra, e de Mn-kaw-Ra;

       Vemos nas catedrais góticas;

       Vemos em Gaudí;

       Vemos nas órbitas de estrelas e planetas;

       Vemos na música e no colorido da natureza;

       Vemos na harmonia entre o verde da floresta e o musgo na parede de um templo no Cambodja;

       Vemos na formação da tempestade, do furacão, da tsunami;

       Vemos no crescimento e na queda dos mercados de capitais;

       Vemos no casamento do homem, e no seu divórcio;

       Vemos numa sinfonia de Mahler, ou na cantata de Bach;

       Vemos nas espirais de uma galáxia;

       Vemos em nossas impressões digitais;

       Vemos no cavalo e no pasto do cavalo;

       Em alguns lugares é mais fácil reconhecer, em fatos mais próximos de nós no tempo e no espaço, em nosso meio e em nossa cultura. Outras vezes é mais fácil reconhecer no passado e no futuro, no distante das galáxias e nos confins do universo. Outras vezes no átomo, ou na célula viva, ou na semente que brota debaixo da terra, ou no ventre da mãe como ainda uma célula tronco, ou um feto...;

       Mas são reais em todo tempo e em todo espaço deste universo.

       Onde não vemos a ação de Twm neste universo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ntr Ntrw
Dele nada se sabe
Nem o nome se conhece
Apenas se sabe que Ntr Ntrw age
Como age a harmonia de Twm (Ptah
) neste Universo

 

 

 

 

 

 

 

      Como  o Ibis, ou Twth, não podemos conhecer nem o nome do Ntr Ntrw; mas podemos, através de suas manifestações e pelo existir nosso e do universo, resultado de suas ações, podemos indiretamente tentar conhecê-lo por suas obras, pouco a pouco... de grão em grão como o Ibis... como o Ntr Twth o pode conhecer... e ensinar... sempre de grão em grão, como o Ibis...

 

Valéry e os mdw Ntr

 

       Paul Valéry, em sua carta ao autor na edição do “Le Nombre D`Or” de Matila Ghyka, escreveu que lamentava que entre as artes a literatura foi prejudicada, pois contrariamente ao que acontecia com a música, a arquitetura e outras artes, a ela a “proporção divina” não se aplicava;

       Ele chegou a lamentar nessa carta, que seria infundada sua esperança de escrever algo que refletisse essa proporção celestial, em seus poemas;

       O grande poeta estava certo... em francês, como em qualquer outra língua atual, ele não conseguiria mesmo, com perfeição, escrever reverenciando abertamente a divina proporção, a não ser em seus ritmos, em sua cadência...

       Mas ele errou totalmente quando imaginou que a divina proporção não se aplicava à literatura. TODA A LITERATURA DE KMT, como o Ntr Toth fala, significa e representa, presta reverência em nome da literatura em pedra que é condicionada continuamente pela divina proporção. Os mdw Ntr, como escrita do sagrado, têm origem, como tudo, em Twm.

       As paredes das pirâmides escritas da sexta dinastia dão testemunho dessa proporção...  assim como todo escrito em mdw Ntr e em hierático... em pedra, em tinta, em papiro... em pirâmides, estelas, templos, sarcófagos, obeliscos...

       Porque, grande poeta, os mdw Ntr são a própria divina proporção na forma de escritura... por isso Champollion, o grande Champollion, seu compatriota maior, percebeu que os mdw Ntr não mais se modificavam no tempo... nos últimos milhares de anos, eles eram os mesmos, com os mesmos valores fonéticos e simbólicos... Champollion por dois anos viajou de Alexandria até mais ao sul de Abw-Simbl, e chegou à Núbia... e verificou que os mdw Ntr sempre foram os mesmos, nas diversas eras, nos diferentes locais, em Kmt.

       Porque os mdw Ntr não são uma escrita humana codificada, mas são o real em pedra e em cor e em realidade. Nossa escrita morre... Champollion mostrou que os mdw Ntr não morrem jamais

 

 

       Agradeço meus “insights” sobre estes assuntos, em primeiro lugar ao momento, gerado por Twm;

       Depois a alguns grandes mestres:

       Jean François Champollion, que deu vida a Kmt, que estava morta e não podia ser reconhecida. Seu trabalho é eterno;

       René Schwaller de Lubicz, um dos maiores egiptólogos depois de Champollion, que viveu com sua esposa Isha durante 12 anos estudando o templo de Luxor, e que aprendeu como ninguém sobre a mente e o coração de Kmt;

       Isha Schwaller de Lubicz, por seus extraordinários trabalhos, “Her-Bak”, tanto o “Pois Chiche” como “O Discípulo”, e o seu amor por Ta-meri e pelos Mdw-Ntr;

       Matila Ghyka, que me abriu os olhos para uma série de aspectos do número que ele definiu como f ainda no início do século passado.

       A todos que amam e amaram Ta-meri, de coração, como eu amo.

       E acima de todos os outros, eu agradeço aos Antigos, aos Imortais Sábios de Ta-meri (terra amada), ou Kmt (terra negra), àqueles a quem todos nós devemos quase tudo; sem suas pirâmides, sem seus templos, sem seus escritos nas pirâmides, nada teríamos e permaneceríamos em terrível ignorância, não só sobre eles e sua cultura, mas principalmente sobre nós mesmos, e a realidade que nos cerca, até os confins do universo, no ontem, no agora e no sempre.

       A todos meu muito obrigada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


      O Templo ou Universidade da Sabedoria, de Karnac em Kmt.

      A ciência e os ofícios são para muitos;

      A sabedoria e o conhecimento do real são para poucos.

 

 

     Fim

 

Quer conhecer mais sobre Kmt, e principalmente a relação de Jesus de Nazareth com Kmt, e o significado do Apocalipse, do anticristo...????

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666 O Outro Cristo de Clara Maria Dufresne.


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