por Martha Freitas
por Martha Freitas
A mesma
realidade pode ser percebida de diversas maneiras, dependendo do percebedor.
Por exemplo, o Judiciário julgar que seus proventos não são privilégios
absurdamente exagerados, minando ridiculamente a reforma da previdência pública
preconizada pelo Presidente da República, procurando impedir que a mesma seja
aprovada no Congresso Nacional.
Esquecem que do ponto de vista do povo, privilégio é privilégio.....e
para um povo de miseráveis, esses privilégios são revoltantes e inaceitáveis.
Do ponto de vista dos privilegiados e aproveitadores, sanguessugas da nação,
privilégios são "prerrogativas", mas não para o povo.
Dias atrás, abalada
por minha revolta contra o presente estado de coisas contra o povo brasileiro,
pelo boicote às justas reformas propostas pelo Presidente Luiz Inácio Silva,
boicote este capitaneado pelo Judiciário na pessoa de seu líder e presidente de
plantão, já que esse presidente nunca foi eleito pelo povo, e nunca teve
respaldo popular para a função que exerce, sem controle externo da população,
que controla pelo voto o Executivo e o Legislativo, mas fica à mercê dos
desmandos do corporativismo do Judiciário, perguntei à Anna Braga:
Anna, me pergunte
alguma coisa... para eu poder escrever..... estou muito deprimida, como espero
que toda a nação comigo esteja, para
escrever de moto próprio sobre qualquer assunto.
Ela perguntou:
Me explique porque
algumas transexuais, antes de fazerem a cirurgia de redesignação sexual,
desistem.
Eu complemento a
pergunta de minha amiga:
Algumas, depois da
cirurgia, se arrependem? Porque algumas se suicidam antes ou depois da
cirurgia?
A resposta é
extremamente difícil de ser dada, e muito complexa. Mas, como bem dizia o
filósofo Dadá Maravilha, para toda problemática, tem uma solucionática. Vamos
pensar nessa solucionática. Não uma solucionática tipo a proposta pelo
Judiciario, tão alegremente incorporada pelo Legislativo, sobre a reforma da
previdência .... não somos agricultores, que são cidadãos de segunda categoria....
nós somos de primeira, merecemos perpetuar nossos privilégios, que não são
privilégios, mas prerrogativas! Assim pensam, e afirmam publicamente, nossos
"magistrados". Magistrados esses, bem ao nível de meu filósofo, Dadá
Maravilha. O Dadá que me perdoe essa comparação que o desqualifica e o
desmerece.
Antes de mais nada,
quem é uma transexual MtF, do masculino para o feminino?
Obrigatoriamente, é um
ser humano, que ao nascer, por seus genitais masculinizados, foi confundido com
um menino, mas que depois mostra ter um cérebro, que em algum momento, e por
algum processo, foi discordantemente mantido feminino e não masculinizado. Esse
cérebro gera uma identidade feminina, apesar dos genitais masculinos e das
pressões sociais e culturais para uma vida masculina, e da expressão de
masculinidade ser socialmente esperada para essa pessoa.
O que faz a criança?
Ou se mostra, em sua feminilidade inesperada,
ou se esconde. Se esconde em sua solidão, criando um mundo particular seu, longe dos outros....em seu quarto, longe de
irmãos, de pais, de família....criando um mundo quase autista, particular.
Quem se mostra, sofre
uma bárbara repreensão, e uma pressão truculenta. Algumas sobrevivem, outras
sucumbem. Muitas, expulsas da casa, e da própria vida, se vêm forçadas a se
prostituirem, quando não se suicidam.
As que se escondem,
dão margem a traumas e frustrações, todas elas .... a neuroses algumas ou quase todas.... e psicoses umas poucas.
Como compreender essas
pessoas?
Primeiramente, sendo
uma delas. Sem ter esse tipo de problema, em si mesmo ou na família....sem
existencializar essas realidades conflitantes em si, não é possível
compreendê-las plenamente.
Mas não basta ser uma
delas.
É preciso também ser
um profissional de saúde, para poder diagnosticá-las, avaliá-las, tratá-las e
orientá-las.
Mas que tipo de
profissional de saúde?
Basta ser um médico,
ou um psicólogo ou sexólogo, com vários Ph.D.?
Nenhum médico pode
diagnosticar um caso desses, apenas com seus conhecimentos médicos atuais, sem
proporcionar enormes riscos para a vítima de seu diagnóstico. Nenhum exame
laboratorial superficial nada evidencia.... cromatinas, dosagens de hormonios,
nada representam....e os exames mais profundos, em nível molecular e/ou
genético e neurobiológico, ainda precisam ser desenvolvidos, se o forem algum
dia.
Não, nenhum deles pode
diagnosticar com segurança um caso desses, apenas com o que sabe em sua
especialidade, com todos os seus Ph.D's.
Uma comissão de
doutores? Como afirma o CFM-Conselho Federal de Medicina, em suas resoluções?
A soma das
ignorâncias, gera apenas uma ignorância maior e mais diversificada.
Uma comissão de
especialistas, M.S.'s e Ph.D.'s? Como sugere as SOC-6 (Standards of Care,
version 6 de 2002) da HBIGDA-Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association,
que "inspirou" as resoluções do CFM, mesmo que a elas ele não se
refira?
Dependendo dos
especialistas, a soma da ignorância..... dará o mesmo resultado já aventado
anteriormente.
O que fazer? O que?
Sempre que temos uma
dúvida, devemos pensar. E para pensarmos, precisamos antes de mais nada,
aprendermos a pensar. Infelizmente, a educação no Brasil não ensina a criança e o jovem a ter o
hábito de pensar..... a aprender a pensar.... mas apenas a decorar, imaginar,
obedecer..... a criatividade no imaginar, não é pensar.
Quem ensina a pensar,
não é a medicina, nem a psicologia..... elas ensinam a decorar, obedecer,
repetir..... e quase nunca a pensar.....
Ensinar a pensar é
função da Filosofia..... e dentro da filosofia, da Lógica e da Ontologia....
das quais se serve também, a Matemática.
O que quero dizer é que sem uma boa base filosófica, e um
pensamento lógico, sistêmico e abrangente, não se pode conhecer e diagnosticar,
com segurança, esses casos.
Quando pensamos sobre
essas pessoas.....
Vemos que elas, desde crianças, se
encontram num verdadeiro beco sem saída. Para pais, mães, e no meio em que
vivem, na aurora de sua existência, elas vivem a terrível situação de terem de
explicar, ou pelo menos externalizar e expressar, o inexplicável, ou seja.....
gente, apesar de eu ter nascido com um piu piu, eu Não Sou um menino como
pareço ser, porque Não Me Sinto menino. Isso, de alguma maneira, vem de dentro
de mim, eu não posso escolher ou controlar.... eu sou assim, não sei porque,
mas aconteceu isso em mim.... desde que existo.... eu me encontrei assim. Não
me sufoquem, não me destruam..... me ajudem e compreendam a dificuldade extrema
em que me encontro.
A pessoa humana, é
hipercomplexa. Em todos os sentidos. Na realidade biologica e na realidade
psiquica virtual, especialmente. O conjunto que gera a identidade de gênero,
composto do todo do ser, é extremamente complexo. O cérebro, a fonte basal
principal dessa geração, é extremamente complexo. A relação do cérebro com o
resto do corpo.....a relação do cérebro e seus sensores corporais externos e
internos com o meio ambiente, é ainda mais complexa. A relação do cérebro com a
identidade virtual por ele gerada como um EU, é sentida e vivida como uma
realidade autonoma, da mais absoluta complexidade. A relação desse EU com a
realidade do resto do corpo, e com o exterior, é fantasmagoricamente complexa.
A relação desse EU virtual, com a virtualidade da construção cultural e social
de um meio humano, de um "umwelt" humano, é ainda mais complexa.....
No meio
desse oceano de complexidades, se não
pensarmos apropriadamente, imediatamente
dizemos apenas pela percepção ou suposta percepção dos genitais (que
geralmente não conhecemos mas "desconfiamos"), ou da voz
inesperadamente grave, ou do jeito um pouco exagerado, ou do tamanho corporal
avantajado, ou das pelosidades excessivas ou das musculosidades
características, ou da largura dos ombros, ou da força do biceps, ou pela
presença de um "gogó", ou pelo tamanho do pé.... muitas vezes apenas
pela onipotência de um papel de identidade ou de uma certidão de cartório,
classificamos o outro que desconhecemos radicalmente..... como se o
conhecêssemos perfeitamente.
Ele tem que ser homem, é um menino!
Hahaha! Quanta
ingenuidade, e que maligna ignorância! Que prepotência e intransigência!Que
ilusão! Que falta de percepção da realidade! Que situação de verdadeira
esquizofrenia profissional e social!
Nossa ignorância é
profunda. A soma de todas nossas ignorâncias sobre esse assunto, a torna
Kafkeanamente de uma profundidade abismal.
Os melhores artigos
medicos e cientificos sobre o assunto, nos nossos simpósios e congressos, hoje
em dia assim apresentam uma transexual MtF:
Chamam-na de
"transexual masculino".....classificam-na ignorantemente como
"primário ou secundário".... não se sabe bem porquê..... é ela é
diagnosticada pelas "equipes pluridisciplinares" como um "um
homem que quer mudar de sexo". Diriam mais, certamente...."o"
paciente geralmente, "a priori", nestes casos, é taxado e classificado como "homossexual".....
mesmo que , devido a seu sofrimento, tenha toda a vida se assexuado.....!!!
Como vemos, pela
própria terminologia científica e médica usada neste país, se pensarmos, o que
é raro e difícil, eu sei, percebe-se o tamanho do abismo a beira do qual fica a
avaliada vítima..... se avaliada por esses "especialistas".
Como Deus, pela
Biblia, nos fez homens e mulheres, segundo muitos..... e mesmo de vez em quando
Ele, por Sua ação na natureza fazendo umas irmãs siamesas com o cérebro ou
outras partes do corpo compartilhadas, e outras monstruosidades, imagino que
por descuido mas não intencionalmente..... no caso das pessoas transexuais, a
culpa pelo engano é sempre delas e nunca Dele ou da natureza por Ele criada
(sobre assuntos de sexualidade, ao que tudo indica, ele é tão neurótico como
seus representantes.... e zelozamente, jamais se equivoca nesses assuntos, como
quando faz as irmãs siamesas), ou de seus representantes, que demonstram não
entender nada do assunto, apesar de se julgarem o fio de prumo da verdade
e moralidade, tanto católica como
protestante, judia ou muçulmana.
Como podemos, de forma
sensata, adotar critérios para avaliar esses casos com segurança?
1. Precisamos de um
avaliador que tenha vivido intimamente esse problema.
2. Precisamos que esse
avaliador seja um profissional de saúde.
3. Precisamos que esse
profissional tenha aprendido a pensar.... com uma base filosófica ou
matemática, em lógica, forte.
4.Mas nada disso servirá para nada, se o avaliador não tiver
outros conhecimentos e qualidades, sobre quem é o ser humano, numa visão
Sistemica e não Cartesiana da medicina, psicologia e da sexualidade humana como
um todo, e do cérebro e da formação da identidade de gênero em particular.
5. O avaliador precisa
ter uma sabedoria "chinesa", ou "índia"..... e uma
conceituação Sistêmica e abrangente do que é Saúde...... do que é
Harmonia...... do que é Realidade. A
visão médica, alopática e Cartesiana, reduz historicamente a realidade da
sexualidade humana aos genitais e à reprodução.
Para conhecer a
realidade de alguém, os índios dizem, você precisa caminhar alguns quilômetros
com os seus sapatos..... só então se
pode começar a ter uma idéia de quem é, o que vive, o que experimenta, o dono
dos sapatos. Dentro deste sentido, os etnólogos bem sabem que, para estudar uma
cultura, é preciso penetrá-la em suas realidades mais íntimas..... e para
penetrá-la, você precisa previamente abrir mão das suas realidades e de seus
valores.... precisa conhecer a língua deles..... suas histórias, costumes,
pontos de princípio....não só conhecê-los, mas vivê-los, se possível com eles.
Uma ótima e didática
técnica para alguém que queira participar de uma equipe multidisciplinar de
avaliação desses casos, é se travestir, e sair às ruas, vivendo seriamente, por
poucos instantes que seja, a realidade que muitos "especialistas" exigem
seja vivida, no mínimo por dois anos, pelas pessoas transexuais, em sua
"terapia". Provavelmente, depois de uma ou duas experiências dessas,
passariam a pensar melhor em suas "exigências terapêuticas" e em seus
"métodos terapeuticos". Ou aprenderiam mais verdadeiramente a
realidade, respeitando as vitimas, ou mudariam de especialidade.
6. Depois de tudo
isso, o avaliador precisa de métodos. Em psiquiatria existem testes para
avaliação se a moça transexual é assim por estar "pirada" e fugindo
da realidade, ou não. Bem aplicados e interpretados, o que raramente soe
acontecer, eles podem ser úteis.Infelizmente, a maioria dos testes é boa, mas
os métodos corriqueiros de avaliação são totalmente inadequados, como o Exner
para a avaliação do Rorschach, por exemplo.....e apenas a escala clínica 5 do
MMPI para a avaliação de masculinidade ou feminilidade.
Outros testes começam
a surgir, para avaliação da identidade, inclusive os testes da Gendercare, que
têm se mostrado extremamente eficientes. Mas existem outros que podem servir de
indicação, como o Cogiatti, por exemplo. Os testes gratuitos da Gendercare, e o
Cogiatti, também gratuito, estão disponibilizados na internet em www.gendercare.com/testes/tests.html
Um teste anatômico, ou
genético, diretamente medindo-se estruturas, no cérebro, tem sido desenvolvido
em fMRI (ressonância magnética), no Japão pela Dra.Kawamura e sua equipe de
médicos (ela é engenheira).... mas ainda está longe de ser conclusivo e preciso
com capacidade diagnóstica.
7. Além de tudo isso,
você precisa ter muita sorte, para não se equivocar em casos mais complexos.
A equipe
pluridisciplar precisa ter essas características, para poder avaliar estes
casos..... coisas que infelizmente o CFM não mencionou, mesmo porque não
entende nada sobre o assunto, mesmo querendo passar um projeto de lei no Senado
Federal (PL 25/2002 ), sobre o "Ato Médico", em que querem ser, de
forma mercantilista e corporativa, os únicos competentes para todos os
diagnósticos no país, tutelando todos os outros profissionais da área da saúde,
em todos os assuntos de saúde.
Quem faz uma proposta
medieval dessa, propondo escravidão e tutela pelo simples interesse do lucro e
reserva de mercado, não sabe , mesmo, pensar, evidentemente. Ou acha que nós, e
os senadores, não sabem. Espero que os senadores saibam.....e rejeitem esse
projeto arrogante e ridículo.
Mas voltando ao
assunto, a equipe pluridisciplinar, composta de um profissional consciente e
habilitado, ou de uma multidão de
profissionais da área da saúde, cujas habilidades se somem de forma eficiente e
coerente, precisa preencher, no mínimo, TODOS os 7 requisitos acima
mencionados.
E mesmo assim,
equívocos podem ocorrer. Mas nesse caso, serão raríssimos, realmente.
Erros de diagnóstico,
levam ao arrependimento e suicídio. Muitos casos nesse sentido já aconteceram.
Incompetência e despreparo dos avaliadores. Confusões entre travestismo e
transexualismo, levam a erros de avaliação. O despreparo da "equipe de especialistas"
pode ser fatal. Casos mal avaliados de problemas mentais graves, idem, mas são
raros.
O outro fator que leva
à desistência perguntada pela Anna, é o medo. Medo e desconfiança na equipe
avaliadora. Principalmente, com relação à técnica cirúrgica de redesignação a
ser empregada. Medo da impossibilidade do prazer após a intervenção cirúrgica.
Medo da estenose (fechamento) do canal vaginal após a cirurgia, o que em alguns
casos chega a ocorrer. Medo da incompetência do cirurgião, o que infelizmente,
pelo descaso para com o treinamento de especialistas nessa área, é comum de
acontecer, no Brasil. Medo da rejeição social após a cirurgia. Medo da falta de
oportunidades sociais e profissionais. Medo, medo, medo.....
Outro fator
importante, além do medo, é o cansaço. Muitas equipes, levam anos avaliando e
reavaliando.... perguntando sempre as mesmas coisas, obtendo as mesmas
respostas, e não saindo do lugar. Muitos "avaliadores", usam essas
equipes para desenvolverem suas teses de doutorado.... e depois de terminada e
defendida sua tese, abandonam essas pessoas e seu atendimento. Usados como
cobaias e inocentes úteis nesses casos, muitos se deixam vencer pelo cansaço.
Outros, se deixam
vencer pelo tempo..... pela idade. A idade certa para a avaliação, como faz na
Holanda Peggy Cohen Kettenis, Ph.D., uma psiquiatra avaliadora competente, é do
nascimento aos 12 anos de idade. O menino "efeminado" pode ser
menina, e vice versa. A correção hormonal à partir dos 13, e a cirurgia aos 16,
curam, literalmente, a criança, desde que haja qualidade médica e cirúrgica
envolvida, e haja qualidade social para o acolhimento e inclusão da vítima
durante a fase de avaliação e transição, e após a redesignação. Mas aqui, nossa
ignorância proíbe, pelo CFM, as cirurgias antes dos 21 anos.... e a avaliação e
tratamento antes dos 18.....pode? São esses que, arrogantemente, se julgam os
únicos "diagnosticadores" de tudo!
Quase todos, no
Brasil, se deixam vencer pela miséria. Uma cirurgia de primeira, na Thailandia,
com o Dr.Suporn, hoje considerado o
melhor do mundo, não sai por menos de US$ 11 a 12.000,00, para uma paciente
brasileira. Fica perfeita, em todos os sentidos, mas é um recurso para poucas.
Nos USA sai uns 50% acima disso. No Brasil, temos dois cirurgiões confiáveis,
mas que usam uma técnica boa, mas não a melhor: Dr.Jalma Jurado em Jundiaí e
Dr.Carlos Cury em SJose do Rio Preto. O preço varia entre um mínimo de US$
3000,00 (Cury) e um máximo de US$ 6-8000,00 (Jurado). Ou seja, por menos de US$
3-4000,00 nem pensar..... uns 9 a 12 mil reais, que devem ser pagos à vista! Um
carro popular com 1 ou 2 anos de uso, na melhor das hipóteses.
Infelizmente, não
tenho notícias de nenhum bom cirurgião que queira ser treinado na Thailandia,
para aprender, e trazer para o Brasil a melhor técnica. Eles preferem não
investir nada de seu para honestamente se qualificarem, e apenas investem
contra a saúde de suas vítimas, experimentando em meninas suas ignorâncias e
inabilidades como cobaias.... afinal, são apenas "transexuais"!
Quem pode pagar por
uma cirurgia de primeira na Thailandia, ou pelo menos uma cirurgia das
confiáveis no Brasil?
Planos de saúde
inexistem. O SUS, nem se fala, esse parece que já nasceu morto.
O outro fator
importante, é a inaceitação social, a dificuldade em existir como um ET, como
um Edward mãos de Tesoura..... numa sociedade preconceituosa, medíocre e
ignorante, como esta nossa.
Mas a força da
identidade de gênero, de alguma forma ainda durante a gestação impressa de
forma não totalmente conhecida, em
partes basais fundamentais do cérebro, é enorme. Essa identidade vence medos,
destrói barreiras..... e quando compreendida e bem diagnosticada, após as
correções necessárias, providenciadas de forma respeitosa e da melhor
qualidade, são vivificantes para a vítima, que se fosse aceita socialmente sem
restrições ignorantes, como ocorre na Holanda, passaria a ser uma pessoa
normal, com suas idiossincrasias, como cada um de nós temos as nossas.
O lado sombrio dessa
realidade, é que essa força da identidade de gênero, quando não vivida e
expressada em harmonia e saúde
vivencial de gênero, com seu corpo adequado, leva a traumas e frustrações.....
que geram neuroses.... psicoses.... violência, desesperança, desespêro..... e
morte.
A cura da desarmonia
entre cérebro e genitais, que causa o transexualismo, é a parte mais fácil na
questão do transexualismo. Bastaria termos um sistema de saúde criativo,
abrangente e honesto.... bons avaliadores, treinados para isso..... bons
cirurgiões, treinados e preparados para isso..... bons hospitais e planos de
saúde, preparados para isso.
O difícil é viver e
existir como transexual, numa sociedade quase medieval como a nossa.... sempre
injusta, quase sempre corrupta, onde as autoridades só pensam em si, e jamais
na população brasileira..... autoridades que a seus próprios olhos devem ter
"prerrogativas", mesmo que na realidade sejam os mais execráveis
privilégios. Conselhos corporativos que jamais pensam em seus pacientes, e só pensam em seus interesses e privilégios.
Mas o que parece
impossível, é fazer com que as pessoas aprendam a pensar, principalmente nossas
autoridades. Que infelizmente, quando sabem pensar, pensam apenas em si mesmos,
mostrando com isso toda sua mediocridade e incompetência no próprio pensar.....