A particula quantica e o enxame classico

Divagações de Wal Torres, havidas em 3 de abril de 2011, sobre a ontologia da mente e do universo.

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Permanecem duas grandes questões sobre a ontologia da mecanica quantica e da mecanica classica.


Colapso ou decoerencia?
Ou ambos?

Como se sai do quantico e se observa uma realidade "classica" - se sai do micro ao macroscópico?


Pelo colapso da onda, provocado pela observação - como diz a Interpretação de Copenhagen defendida por Bohr, Heisemberg e Neumann, ou por uma decoherencia por interação inerte de particulas - mesmo sem um observador?


Tenho duas observações a fazer em favor da Interpretação de Copenhagen - de Bohr - depois estudada em detalhe por Neumann - e hoje defendida por Henry Stapp.

Uma é que o colapso - em certo sentido - não se dá necessariamente lá fora - mas em nossa percepção - uma interpretação epistemológica - como a de Bohr.

Outra é que nunca percebemos o colapso de um individuo - uma particula - um foton - mas sempre percebemos enxames - de fotons ou particulas. Esses enxames -POR DECOHERENCIA - se comportam como enxames - ou seja, tem comportamentos tipicos.

É por existirem os comportamentos tipicos dos enxames - que percebemos como classica a mecanica quantica dos enxames.

Vou procurar dar um exemplo simples.

Imaginemos 3 observadores - que são observadores reais, fisicos, sem poderem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo - e um objeto qualquer. Um lapis.


Os 3 observadores colapsam o lapis.

Na realidade, incidem e estimulam os nervos oticos, uma enorme quantidade de fotons refletidos na superficie do lapis.

No observador 1 digamos, só incidem fotons impares

No observador 2 só incidem fotons pares

No observador 3 só incidem fotons de numeros primos, que não incidiram no observador 1 ou 2.


Cada observador observará EXATAMENTE O MESMO LAPIS. Macroscopicamente, na imagem mental que formam, percebem o mesmo lapis. Pois o enxame de fotons que partem do lapis, definem uma certa forma caracteristica comum (pela decoherencia).

Mas na realidade cada observador colapsou o seus fotons do lapis - nesse sentido cada um colapsou o "seu lapis" - que é só seu pois os fotons foram excludentes com relação aos fotons dos outros observadores - mas é o mesmo lapis emissor de fotons lá fora.

Como MACROSCOPICAMENTE as imagens geradas pelos fotons impares, pares ou primos - É A MESMA, os 3 observadores em certo sentido observaram - geraram suas imagens mentais dispositivas (vide Antonio Damasio) do mesmo lapis - MESMO QUE as IMAGENS QUANTICAMENTE sejam INDIVIDUAIS.
Individuais certamente, mas certamente também auto-similares

Essa é a idéia para uma teoria cientifica da mente - SEM MUNDOS PARALELOS - mas de UM MUNDO em que as individualidades na percepção geram IDENTIDADES macroscopicas, mesmo que sejam microscopicamente totalmente distintas e formadas e geradas de forma paralela.

O que acham?

Dia 5 de abril de 2011 - Adendo de Wal Torres:

Se a realidade não fosse microscopicamente quantica, não haveria a possibilidade de haver uma percepção do lapis por um observador.
Se não houvesse a DESCONTINUIDADE QUANTICA - mas uma continuidade classica, não haveria a possibilidade do paralelismo necessario para que ocorra o colapso da percepção em cada sistema neural.

O paralelismo da mecanica quantica é qualidade essencial para a possibilidade da percepção através de multiplos organismos vivos.

É justamente o fato da realidade ser quantica, que permite a percepção - a percepção coerente dos enxames de dados - por parte de organismos vivos.

Um mundo mecanicista não teria seres vivos gerando percepções e mentes - mas apenas objetos.

Assim sendo, é impossivel fazer ciencia séria em psicologia e neuro-biologia, sem considerar de forma estrita, a mecanica quantica como a geradora dos fenomenos mentais - e fisicos.