Disforias de Genero e as integrais de Feynman

Por Dra.Wal Torres,MSc.,Ph.D.

Copyright @, Wal Torres, 2011




A vida e as integrais de Feynman.

Dentro de minhas divagações continuas, estudo hoje em dia Feynman e suas integrais.

Suas integrais de trajetórias, suas path integrals.

Vou postar aqui alguma coisa a respeito.

A realidade, como disse Feynman - o grande Feynman - é muito estranha.

Nós PERCEBEMOS as coisas na nossa escala, como relativamente simples. Tão simples que chamamos de realidade CLASSICA , pomposamente.

Mas quando fugimos de nossa escala, e vamos para a realidade mais intima da materia percebemos coisas incriveis - a materia como ela realmente é.

Ela não é NADA CLASSICA.
Ela não é NADA SIMPLES.
Ela é na realidade MUITO ESTRANHA.

Vejam uma piadinha sobre as integrais de Feynman:



E vamos analisar esse grafico de brincadeirinha?

Pois eu lhes digo que este grafico é um dos mais importantes que o mundo cientifico já viu.

Esse grafico das integrais da vida, está no que se chama ESPAÇO DE CONFIGURAÇÃO.

Espaço de configuração mapeia o movimento no espaço tempo - no caso todas as coordenadas do espaço na horizontal e a coordenada do tempo na vertical.

Na mecanica dita classica, o espaço de configuração de qualquer processo segue a lei da minima ação - ou seja, entre um ponto A (inicio da vida por exemplo) e o B ( a morte por exemplo), ao longo do tempo, qualquer sistema simples e mecanico segue o caminho de menor ação.

Imagine no ponto A da concepção de um organismo, ou nascimento, um mamifero MASCULINO QUE CHAMAMOS ESTÁ NA CONDIÇÃO M. Qual seria sob o aspecto do genero, a trajetória de menor ação = A MAIS PROVAVEL OU A MAIS ESPERADA dele até a sua morte?

Terminar em B como M.

Quase todo mundo que é concebido como M, nasce M e morre M.

Isso é o "classico" desse sistema.

E o mesmo para quem é concebido como F, nasce F e morre F.

Inclusive no grafico do link - quem fez o grafico imaginou varias nuances na vida - divorcios, pós-doutorados, bandas de rock, esportes, mil alternativas de trajetórias de vida - MAS NÃO IMAGINOU A POSSIBILIDADE DE SER DISFORICO DE GENERO.

O que é na realidade o mundo classico?

1. É o mundo que percebemos a partir de nossa escala;

2. É um mundo que, comparado com a escala das particulas elementares da materia, é macroscopico, pois para qualquer coisa MUITAS PARTICULAS, MUITAS MESMO estão sempre envolvidas.

Por exemplo, para percebermos minimamente algum ponto de luz - com uma lupa, com uma lente de aumento que aumente muitas vezes - precisamos não de UM FOTON mas pelo menos de uma duzia de fotons para percebermos alguma luz.

Nosso sensores óticos são tão imprecisos, que não percebemos nunca UM FOTON - mas a minima luz que percebemos são pelo menos uma duzia de fotons concentrados num mesmo ponto.

Por isso tudo que é classico - que é percebido, que é observavel - perceptivel - tem que ser efetuado por grupos de fotons e particulas, geralmente milhares de milhões delas.

Ou seja, a fisica classica é sempre de grandes grupos, de grandes numeros de individuos.

E a fisica dos individuos?

Essa não é classica - é sempre quantica.

A mecanica quantica é apenas a mecanica do muito pequeno?

Creio que não.

O que caracteriza o muito pequeno é que seus individuos (bosons - por exemplo fotons e fermions - por exemplo eletrons) apresentam interferencias - dualidades de comportamento - como particulas e como ondas - ao mesmo tempo.

E quando observados - eles como se constrangem e se comportam só como particulas.

Parecem crianças.

Livres se comportam cheias de incertezas e interferencias.

Ao serem observadas, se comportam como crianças comportadas.

Imagine uma multidão de individuos, na praça da Sé. Ninguém os observa, eles andam de forma imprevisivel, se comportam de forma imprevisivel.

Agora ao saberem que são observados mudam certamente de comportamento - simplificam, limitam, conformam ao mais provavel o comportamento.

Essa é uma caracteristica só de bosons e fermions?

Não, é o comportamento de individuos que podem ter a liberdade de escolher como se comportar - mesmo organismos vivos.

A dualidade intrinseca de bosons e fermions - se parece muito com as dualidades - ou multeralidades humanas e mesmo de outros organismos vivos.

Entre humanos o mesmo homem é filho, pai, irmão, marido e genro - ao mesmo tempo. E profissional liberal também, ou funcionário, ou patrão ou empregado também.

Mas ao ser observado ele muda - ele simplifica seu comportamento - como bosons e fermions.

Não é interessante?

Em outras palavras, o comportamento quantico não é só para o muito pequeno - mas para qualquer sistema que possa apresentar dualidades.

E que observado fique constrangido.

Isso acontece com humanos, outros animais, com todos os seres vivos na realidade.

Não acontece isso com grupos de particulas inertes - uma pedra não apresenta dualidades - arremessada ela é classica.

Mas o caminhar de uma formiga, ou de um peixe no aquario não é classico - é quantico.

E Feynman - genialmente - conseguiu matematizar - mesmo que não numa forma muito purista - como calcular as probabilidades entre as trajetórias - entre fermions, bosons.... e seres vivos.... e individuos que admitem interferencias.

Sempre que em fisica se mede uma particula - se interfere nela.

Não dá para observar - medir - sem interferir.

Ao se interferir - de forma misteriosa ainda - a particula sempre reage - seja boson ou fermion - seja que medida ou observação for - da mesma maneira - ela se simplifica e perde seu carater dual ou plural - e segundo Von Neumann (e Feynman), a entropia cresce e o processo se torna irreversivel no tempo.

Portanto, o ideal seria observar sem interferir - para não "inibir" a particula, que se simplifica e se mostra menos plural e mais simples, PERDENDO AS OUTRAS INTERFERENCIAS ONTOLOGICAS, que sabemos presentes nela.

JUSTAMENTE ESSA CARACTERISTICA - EM INDIVIDUOS QUE APRESENTAM PLURALIDADE DE COMPORTAMENTO - como fermions, bosons na fisica e CRIANÇAS PEQUENAS PRE-PUBERES, entre humanos, consideramos na Gendercare, ao desenvolver a ideia inedita no mundo, ao desenvolver os Game-tests de disforias de genero.

Uma criança - como um boson ou fermion - é plural. É um individuo (individuo humano, mesmo composto por trilhões de trilhoões de celulas), mas plural em suas percepções e comportamentos (como bosons e fermions).

SE NÃO OBSERVADA, a criança disforica vive em seu mundo, e cria suas brincadeiras (meninas MtF brincam escondidas de casinha, de bonecas, se maquiam, travestem, etc, por exemplo), MAS AO SER OBSERVADA, ela se constrange, procura se mostrar como o menino que esperam ver, e vai - mesmo desajeitadamente - chutar bola, por exemplo.

A terapia de genero é uma medida, uma observação.

E assim interfere, e não percebe a realidade da particula (boson, fermion na fisica, e a criança disforica em terapia de genero).

Qual a forma de observar sem interferir?

Na fisica ainda não se encontrou - e provavelmente nunca se encontrará.

Mas na Terapia de Genero é possivel - através de games.

Num game, a criança não está sendo observada por ninguem.

Ela pega o laptop, joga, faz suas escolhas sozinha, se sentindo sozinha, brinca de casinha e de boneca no game, e está só.

Ela mostra para si mesma, ela vive em si mesma todas as suas pluralidades existenciais - suas interferencias quanticas.

E através de escores enviados ao final de cada jogo para a Gendercare - nós podemos conhecer suas escolhas, suas pluralidades, seus caminhos e seus sonhos - e podemos CONHECER SUAS INTERFERENCIAS, e mesmo medi-las.

Espero que tenham compreendido um pouco melhor, as idéias que embasam a meneira - extremamente cientifica e avançada - de avaliar crianças e adultos, desenvolvida pela Gendercare.com em Terapia de Genero.

Quando eu digo que a particula - boson, fermion ou criança disforica - simplifica, ela converge para a trajetoria de maior probabilidade.Ela se comporta como se espera que ela deveria se comportar, tanto na fisica "classica" como na sociedade.

No caso de bosons e fermions, se comportam como particulas passando pelo buraquinho que se espera que passe.

Uma criança disforica procura se mostrar não disforica - por medo, vergonha, incompreensão do que se passa em si mesma. A maior probabilidade, o que todos esperam dela, ela procura interpretar.

Mas tanto o boson, como o fermion, como a criança, em sua liberdade de ser como é - compreendem, incluem, apreendem todas as suas intrinsecas multiplicidades - quanticas.

A fisica quantica mostra que entre dois pontos do espaço de configuração, não existe apenas a trajetória mais provavel (classica), mas todas as trajetorias que se somam - e muitas se anulam.

O mesmo acontece com a criança-particula. Ela é todas as suas possibilidades plurais, e se identifica com algumas delas, mesmo que não as mais provaveis. Observada ela se esconde sob o manto da maior probabilidade para se proteger.

Cabe ao terapeuta de genero estabelecer metodos cientificos de proporcionar à criança-particula, se mostrar em toda a sua pluralidade, e em suas tendencias as mais idiossincraticas que sejam, sem interferir - ou minimizando a interferencia.

Os Game tests desenvolvidos pela Gendercare são o primeiro instrumento conhecido que atinge esse objetivo da forma mais ampla.

Considerando agora a particula-adulta, o ser humano adulto.

O mesmo processo da soma das trajetorias se repete.

E a forma de menos interferir que encontramos, podendo avaliar o mais objetivamente possivel - é o acesso por escrito pela web.

Entrevistas pessoais presenciais constrangem. A aparencia fisica, constrange. Interfere, limita - induz à perda da pluralidade.

Pela web tudo se torna mais natural, mais eficiente.

Voltando para Feynman

As integrais de Feynman são dificeis de calcular muitas vezes.

E os calculos são quase sempre aproximativos - vamos calculando pedacinhos a pedacinhos, aumentando a precisão do calculo.

Uma simplificação importante: as probabilidades, ou mais propriamente as amplitudes ( a probabilidade é o quadrado da amplitude), consistem de duas partes de uma maneira geral - uma parte que é constante - que depende só da saida e da chegada - no caso do grafico da vida - do ponto de inicio da vida e de encontro da morte.

Essa parte é simples, e tem pouco interesse na compreensão da soma das trajetórias.

O importante é como funcionam as fases - cada trajetória corresponde a uma situação de fase, que se soma, que se anula. Vetorialmente.

Foi assim que foram geradas as idéias dos DIAGRAMAS DE FEYNMAN - onde o que vale é a fase, que rege a dinamica das somas das trajetorias.

A idéia é a seguinte:

Trajetórias proximas à trajetoria mais provavel, tem uma fase construtiva, que se soma e se aproxima da mais provavel. Trajetorias distantes da mais provavel, se anulam umas às outras, com fase destrutiva com relação à mais provavel.

Isso funciona às mil maravilhas com bosons e fermions.

Agora vamos aplicar ao espaço de conformação do genero.

No inicio no ponto A se inicia com M. Como chegará em B?

Como M ou como F?

Ou como algo intermediario?

A enorme probabilidade, mais de 98%, é chegar no fim como M. No maximo, uma probabilidade de menos que 1% de chegar como F.

Como PERCEBE A SOCIEDADE (que vive no mundo não das particulas-individuo, mas das coletividades?) - M gera M e pronto! Uma vez M, M para sempre! Isso está escrito até nas leis, nos codigos, nos livros sagrados e em outros nem tão sagrados assim. Isso está na midia, nas piadinhas, no obvio, no besterol geral comum.

É verdade, a probabilidade da trajetória M-M é enorme.

Quase tão grande como a da luz andar na mesma velocidade, e em linha reta macroscopicamente, ou à impossibilidade de algo macroscopico andar para tras no tempo.

A probabilidade M-F é pequena, e pior, é considerada DESTRUTIVA, ainda por cima. Ela NÃO REFORÇA A VISÃO DA SOCIEDADE (que percebe o "classico", o mais comum, o M-M). A probabilidade dela mesmo assim é bem maior do que a probabilidade de sintetizar-se antimatéria em laboratório.

Para uns a trajetória M-F é coisa do demonio.
Para outros é um pecado.
Para outros uma opção.
Para outros uma depravação moral
Para outros um transtorno de identidade de genero
Para outros uma anormalidade
Para outros uma piada
Para outros uma ilusão
Para outros uma impossibilidade

Mas na realidade a trajetória M-F é apenas uma questão de realidade cientifica.

Como mostra Richard Feynman.

Ele mostrou para bosons e fermions essa mesma realidade estranha.

Antimatéria
Fotons andando acima da velocidade da luz
E abaixo dela
Bosons e Fermions andando para trás no tempo
A fisica é ainda mais estranha, que os disfóricos de genero.

São Paulo, 6 de junho de 2011.

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