GID Journal
International Journal for Gender Identity Disorder Research
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Editor's Remarks

Our Third Edition



Editorial

GID Youths… GID Children

A lot of our GID patients, and others that look for special GID help, are children, their parents, or adolescents. From the interior of Amazon, to the interior of France. Brazilian law, and Brazilian medical organizations try to forbid their diagnosis and treatment. In Brazil, diagnosis may start only after 18 years old. When I was a child…a small one…. I had sometimes, a toothache…. and my parents as soon as possible tried to help me in my sufferings. But a GID child may not be diagnosed, treated and helped at that same age, in Brazil… the children need to maintain their toothaches, or worse sufferings, their existential sufferings, until 18, to start any diagnose and treatment. Obviously, we do not accept that kind of things…. we evaluate and treat children, from 8 years old on…. and we intend to develop new methods….we call game-tests…. to start at 3,4 years of age knowing them, and developing a very in depth GID diagnosis. To start the diagnose at that age, not to finish. Today, Dr.Peggy Cohen-Kettenis is working in Holland, with children, and evaluating them there also….and with 12 years old she have good consolidated diagnosis… and starts hormone therapy. With 16 she performs SRS surgeries. She say the result is….cure. CURE. No big traumas .... no big exclusions…. good diagnosis….. good treatment…. social integration and inclusion….. as soon as possible….MEANS GID CURE. We follow the same way…. We are very happy, Dr.Suporn in Thailand may make SRS MtF surgeries from 16 years old patients on, as in Holland. We hope, other surgeons will do the same, all around the world. For decades, there was the MYTH that GID could not be cured….. because "artificial cosmetic surgeries" were not a cure for "mental problems"…. Reality shows they were wrong…. GID youths may be cured…. If GID children are well and properly diagnosed in an early way. Almost all GID cases are not derived from mental disorders…. but from a discord of gender, between brain…. that generates the virtual self…. and genital tissues. We may not change brains and identities…. but we may correct and put in harmony with the overall existential realities, their genitals, using good and modern SRS techniques, mainly for MtF…. but sometimes also for FtMs…. That is the way for GID cure….

References

Smith,YL; van Goozen,SH; Cohen-Kettenis,PT --- Adolescents with Gender Identity Disorder who were accepted or rejected for sex reassignment surgery: a prospective follow-up study --- Journal of the American Academy of Childhood and Adolescent Psychiatry, 40(4): 472, 2001.

Thank you,

Waleria Torres
GID Journal editor



Comitê Olímpico Internacional PERMITIRÁ atletas transexuais nas Olimpíadas

Texto escrito por Marycross, paciente avaliada e em acompanhamento pela Gendercare Gender Clinic,, que publica na internet o site

http://marycross.sites.uol.com.br/index.html

A revisão da situação transexual, tanto MtF como FtM pelo COI-Comitê Olímpico Internacional, que finalmente decidiu pela inclusão social e esportiva das pessoas portadoras de uma GID transexual, e devidamente diagnosticadas, tratadas e redesignadas através de cirurgias SRS-sex reassignment surgeries, tem sido um estandarte na luta cotidiana dessa moça, dessa nossa paciente e amiga, a Marycross. No nosso Editorial em português desta edição de Dezembro de 2003 do GID Journal, não poderíamos deixar passar em branco esta sua memorável vitória, e como uma homenagem à sua luta, publicamos este trecho de um comentário de Marycross, que se encontra na íntegra em seu site.

Transfobia

by Marycross

"A nossa pátria deveria ter como exigência a dignidade da pessoa humana. O respeito . A cidadania. O combate a intolerância e ao preconceito. Mas as transexuais MtF operadas ainda sofrem , nessa questão do esporte, por causa da ignorância das pessoas. Contudo não se pode permanecer indiferente a uma injustiça como esta. Pois ela é a manifestação de uma das formas mais perversas da violência : a discriminação .

. O Programa Nacional de Direitos Humanos apresentado pelo então Sr. Presidente Fernando Henrique Cardoso em 13/5/02 traz as diretrizes do então Governo Federal na área de Direitos Humanos. O documento oficial explicitamente faz referência a ações nas questões pertinentes à garantia do Direito à Liberdade, Opinião e Expressão das Transexuais além de tratar de ações de regulamentação da lei de redesignação e da mudança de registro civil para transexuais operadas, e propõe emenda à Constituição Federal para incluir a garantia do direito à livre orientação sexual e a proibição da discriminação por orientação sexual.

. Infelizmente o Sr. Ex-Presidente FHC pensava mais em nós e nas minorias do que o atual governo.....Lula... O Congresso, digo isso com tristeza e infelicidade pois temos votado e confiado no PT & Cia fielmente e em todos que aí estão há anos, e a coisa ficou nesta decepção para nós , nenhum comprometimento na implementação dos nossos direitos como seres humanos , inclusive por parte do Senhor Ministro dos Esportes. Quem fez mais por nós foi o Senhor FHC com seu Programa Nacional de Direitos Humanos.

Esse programa governamental criado na gestão FHC, que propõe ações e diretrizes para a implementação dos nossos direitos como seres humanos , caminha a passos lentos no governo Lula ....

Essas ações para garantir o direito nas questões pertinentes às transexuais são necessárias porque ninguém pode viver perenemente, sem qualquer motivo ou justificativa, como pessoa marginalizada, como discriminada, num estado de anomia como uma anomalia civil, social e mesmo jurídica. O ser humano merece o respeito de sua individualidade, de ser cidadão, um indivíduo comum. Pelo menos um nome que o caracterize devidamente, cada ser humano tem o direito de ter.

Hoje em dia, até na longínqua China Continental, as transexuais operadas terão o direito de se casar e mudar de nome.... e as MtF a serem reconhecidas como mulheres.

Por outro lado, na Suíça, por exemplo, além de se respeitar de maneira exemplar os direitos humanos, possuem eles uma lei que permite a mudança automática de identidade civil no caso de transexuais redesignadas cirurgicamente, e, é claro ( aqui vai a relevância para o esporte), a Suíça sedia o Comitê Olímpico Internacional, a FIFA e uma série de outras entidades e organizações mundiais de administração do desporto. Na Suíça, a palavra transexual designa a pessoa que ainda não se operou, porque depois que a MtF se opera, passa normalmente a ser designada e aceita como mulher...não sendo mais tratada como GID, mas como uma mulher como as outras....

. Temos no Brasil um projeto muito bom ( PL-70b/1995 ; autor: José Coimbra - PTB /SP ) o qual o atual Sr. Ministro dos Esportes apoiou em 1995 e 1999, quando foi seu relator, na Comissão de Seguridade Social. Esse projeto encontra-se pronto para pauta para ir a Plenário na Câmara, e dispõe sobre intervenções cirúrgicas que visam à alteração de sexo (redesignação genital) e dá outras providências ADMITINDO A MUDANÇA DO PRENOME MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, NOS CASOS EM QUE O REQUERENTE TENHA SE SUBMETIDO A INTERVENÇÃO CIRURGICA DESTINADA A ALTERAR O SEXO ORIGINARIO, OU SEJA, OPERAÇÃO TRANSEXUAL. Com o parecer favorável do relatório do nosso atual Ministro dos Esportes, Sr.Agnelo Queiróz quando era deputado , o projeto teve aprovação unânime na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) , e já havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Mas até hoje encontra-se com requerimento de urgência, parado, abandonado à própria sorte, ou à própria morte, aguardando, como no corredor da morte, sua ida a Plenário. No governo Lula, mesmo com o então relator do projeto no governo , e todas as promessas, empenho e compromissos pelos Direitos Humanos de quando foi deputado , o projeto está sem o interesse devido, abandonado à própria sorte. Um projeto bom já existe....O PL70b/95 é bom. Basta interesse das autoridades para aprová-lo. O pior é que as autoridades têm a consciência exata da violação que está sendo feita aos direitos das transexuais, e não fazem nada . Parece que só pensam em si mesmos, e esquecem que estão lá como representantes da população, inclusive das pessoas GID.

A aprovação do Projeto Coimbra é de extrema importância para as pessoas com problemas de gênero no Brasil , pois a readequação perante si mesmo e a sociedade é um direito inalienável da pessoa humana . Ao PL 70b/95 do Dep.Dr.José Coimbra foi juntado um outro, de nº 3727-97 do ex-deputado Wigberto Tartuce. Ambos agora tramitam juntos, mas estão parados, aguardando inclusão em pauta, mesmo com o pedido de urgência de 1.999, assinado por quase todos os líderes dos partidos. Nos afastando de nossas misérias terceiromundistas e latino-americanas, vemos que no mundo civilizado, a situação é bem diferente.

. Na Europa, a Corte Européia de Direitos Humanos determinou o fim desses sofrimentos e constrangimentos causados às transexuais , assegurando plena redesignação cirúrgica, civil , jurídica e social às pessoas transexuais redesignadas.... o que foi um passo importante para a decisão de agora, da participação nas competições esportivas de alto-nível, por parte de pessoas GID redesignadas, no gênero adequado. O Governo Britânico , por exemplo, está cientificando mais de 100 organizações esportivas para que implementem as mudanças nas regras em relação ao gênero. As transexuais contam com o apoio governamental e da lei na Europa, que lhes assegura a plena cidadania, o reconhecimento da identificação civil adequada e o direito de existirem e serem respeitadas na sociedade, no esporte e no trabalho. Mas para que essa situação de respeito e civilidade chegasse, houve uma decisão firme da Corte Européia de Direitos Humanos. Nós, neste fim de mundo, nem Corte de Direitos Humanos temos....

Esta é uma causa legítima. Todo o trabalho multidisciplinar de suporte a portadores de disforia de gênero só pode ter sentido quando objetiva o propósito de lhes reconhecer a identidade e com o fim de integrá-las na sociedade. Todas as transexuais possuem o direito de inclusão na sociedade, durante seu processo de transição....e inclusão plena, total e irrestrita, após sua redesignação. Participando de todas as atividades normais na condição à qual se harmonizaram de forma a poderem viver. Não se justifica a sua não participação também em esportes, prática habitual de grande parte da sociedade, ...

As religiões que professam o ódio e a intolerância patrocinam essa exclusão social com uma teologia e moralismo próprios que julgam as transexuais numa condição de condenação. Dizem : "Direitos Humanos pode, menos na questão sexual..." Esse sentimento de ódio, intolerância e preconceito para com as transexuais foi usado no passado da mesma forma para excluir os negros. Pretendem os falsos defensores do evangelho condenar as pacientes transexuais a viverem como escravas, numa era de avanços tecnológicos e garantias fundamentais da pessoa humana. Esse moralismo tem as mesmas razões , as mesmas táticas , a mesma irracionalidade da Escravatura. A própria sociedade, influenciada por estas doutrinas nada evangélicas, pois Jesus não discriminou ninguém, nem sequer proferiu uma só palavra que seja contra as GID - e numa postura irresponsável e ignorante, condena as transexuais a viverem na marginalidade , no desemprego, na miséria, no abandono, sem acesso ao esporte de competição , esporte que é manifestação do ser humano , da sua necessidade de viver , da sua formação , atividade fundamental com reflexos na saúde , na auto-estima, na socialização saudável .... isso pode acarretar como consequência o desequilíbrio psíquico e emocional, e como desequilíbrio social, a promiscuidade ....

Esse sentimento de ódio e intolerância as transexuais chamamos de transfobia, e as pessoas que são intolerantes e preconceituosas, que odeiam as transexuais são denominadas transfóbicas. No passado essa doutrina falsamente evangélica ,perseguiu não apenas os negros, mas também as mulheres, os índios e.... ainda persegue os homossexuais.

Esta doutrina e moral de só projetar suas ignorâncias e intransigências no outro, produzida por religiões preconceituosas e transfóbicas, constroem essas situações sociais que excluem as transexuais do seu direito de existir efetivamente na sociedade no gênero adequado.... e terminam por gerar nas vítimas, traumas , maus tratos, discriminações , falta de oportunidade e exclusões radicais, que por sua vez podem gerar como conseqüência dessa exclusão, depressões terríveis, que por sua vez podem gerar estados psicóticos graves. Ou seja, as transexuais se tornam vítimas de uma sociedade doente e opressora.

Essa discriminação judaica, cristã e muçulmana contra a transexualidade, está presente em todos os escaninhos das atividades humanas. Ela não tem qualquer sustentação médica nem jurídica (apesar dos absurdos publicados em Roma pela Sagrada Congregação da Doutrina da Fé, sobre o transexualismo, em passado recente, absurdos esses referendados e assinados pelo atual líder dessa agremiação religiosa). A medicina, pelo contrário, estuda o cérebro e as diferenciações dos tecidos durante a gestação de crianças primatas humanas e não humanas, tem descoberto radicais possíveis discordâncias entre as diferenciações sexuais no cérebro e nos genitais. Esses resultados, parecem ser ignorados pelos religiosos.... por ignorância, por desleixo... ou por malignidade. O Estado brasileiro afirma assegurar a cada indivíduo ou cidadão a liberdade religiosa, incluindo aí a garantia do direito de não ser submetido a decisões judiciais, ou de qualquer outro agente político ou administrativo, embasadas em princípios religiosos ou de fé, de qualquer espécie.

O mérito e iniciativa de se lutar contra o preconceito e a discriminaçao em defesa dos direitos das transexuais é duplamente maior, por tratarem-se de uma minoria (ainda) quase sem vez e sem voz na sociedade.

Dogmas culturais não são maiores e mais importantes do que os direitos fundamentais de seres humanos.

As pessoas transexuais não são necessariamente promíscuas....não são doentes mentais....não são inferiores a ninguém.... não são decaídas morais.....não são bandidas.... apenas sofrem, antes de suas correções, de uma radical desarmonia entre sua identidade de gênero, determinada por sua conformação cerebral, e sua conformação genital."

Como o texto de Marycross não foi apresentado na íntegra, tive que fazer pequenas adaptações, para que o mesmo não perdesse seu sentido e força de expressão. Espero não tê-lo prejudicado além da medida.

Waléria Torres
GID Journal
Rio de Janeiro, December 7th 2003


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