Dra.Torres,M.S., Ph.D.
Sua História de Vida
Dra. Torres nasceu no Brasil, em São Paulo, capital, nos anos 50.
Nasceu com genitais masculinos e foi registrada como menino.
Constrangida, viveu como menino, e sempre se ligou mais facilmente a meninas que a meninos.
Criada como menino normal, se desenvolveu como menino, e sempre se aproximou de meninas e não
de meninos... mesmo que estes não lhe desagradassem... mas afetivamente jamais conseguiu
se relacionar com meninos, mas só com meninas.
Cresceu, se desenvolveu... fez Faculdade de Engenharia na USP em São Paulo... se formou, se casou
com uma mulher com a qual tinha fortes laços afetivos... trabalhou e teve sucesso como engenheiro,
teve filhos.
Sempre escondeu seu transtorno de identidade com o qual nasceu, desde a mais tenra infância.
Era um segredo próprio, que podia pressionar algumas vezes fortemente, mas podia ser
controlado.
A vida levou a que, já na maturidade surgisse um novo e forte apaixonamento por uma outra
mulher... outros filhos... e outro divórcio.
Aos quarenta anos de idade, estava só no mundo... longe de mulheres e filhos... num isolamento
quase completo...e surgiu o dilema...ser ela mesma... ou continuar fugindo?
Antes fugia por medo... depois por amor a pessoas muito especiais... e agora... fugir de que?
Parou de fugir...já havia conseguido títulos e cursado outros cursos... Filosofia inclusive...
e decidiu se transicionar.
Não encontrou ajuda profissional minimamente qualificada... nem pública nem privada. Procurou
a ajuda de outras pessoas com transtornos, mas nada podiam oferecer... apenas perigos para a
mente e para o corpo.
Encontrou em São Paulo a Dra.Dorina Epps Quaglia, Ph.D., médica endocrinologista e psicanalista com
quem fez amizade... e começou a pesquisar o porque dos transtornos de identidade...
Na Bireme, ligada à Organização Mundial da Saúde e à Faculdade Federal de Medicina de São
Paulo, estudou durante dois anos, pesquisou intensamente e levantou dados suficientes para confirmar
suas idéias fundamentais... os transtornos de identidade do tipo transexual TINHAM QUE ESTAR
RELACIONADOS À DIFERENCIAÇÃO SEXUAL DO CÉREBRO... e encontrou inúmeros dados importantes
a esse respeito.
Em 1995/96 escreveu "Explicando o Inexplicável", que depois foi, em 1998 publicado pela
Editora Vozes
de Petrópolis-RJ-Brazil, como "Meu Sexo Real-a origem inata, somática e neurobiológica
da transexualidade", usando o pseudônimo de Martha Freitas, como ficou mais conhecida no
Brasil, principalmente na mídia.
Em 1999 conseguiu, obtendo o primeiro lugar no concurso, uma bolsa da Capes para fazer o
Mestrado em Sexologia na Universidade Gama Filho-UGF no Rio de Janeiro-Brazil. Completou esse
mestrado em 2002, obtendo o "Cum Laudae"em sua dissertação "Gênero, do Mito à Realidade", tendo em
sua banca autoridades como a Dra.Suzana Herculano Housel, com Ph.D. em neurobiologia pela Universidade
de Paris; Dr.Pedro Jurberg, com PhD na UFRJ em neurobiologia, e pesquisador senior da Fundação
Oswaldo Cruz e Dra.Marise Jurberg, com Ph.D. em psicologia na USP.
Em 2001, durante suas apresentações no XV Congresso Mundial de Sexologia, em Paris, muitos solicitaram
que ela divulgasse suas idéias e seu conhecimento. Voltando ao Brasil, em contato com
Dra.Dorina Epps Quaglia, pensaram em fundar em São Paulo um Instituto da Identidade... mas de
pequena abrangência, pois seria um atendimento local...
Pensou em uma clínica na web, que pudesse atingir todo o mundo.
Criou em agosto de 2001 a Gendercare Gender Clinic (Gendercare.com), e desenvolveu testes e métodos
pela web, para a avaliação, diagnóstico e tratamento de casos de transtornos de identidade de gênero.
Vem trabalhando como terapeuta de gênero desde então, com pacientes de todo o mundo, em todos os
continentes... com os mais variados transtornos de identidade... transexuais, travestis (transgêneros),
crossdressers (transformistas), casos variados de intersexo e hermafroditismo com problemas de transtornos
de identidade por má designação sexual original, etc..
Desde 2002 é membro titular da Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association-HBIGDA.
Contrariando muitos e muitos preconceitos enraizados, diagnostica jovens e avalia crianças, tendo
criado game-tests especiais para essas avaliações. Uma dor de dente, não se espera a maioridade
para proporcionar socorro para o paciente... o mesmo deve acontecer com crianças e jovens
que sofrem de um transtorno de identidade de gênero.
Avaliar e estudar é uma coisa... interferir com terapias e cirurgias é outra. As
primeiras (retardamento da puberdade e terapia hormonal cruzada) pode ser desenvolvida
precocemente (iniciando o retardamento aos 10 anos ao se terminar o diagnóstico e iniciando, quando
for o caso, a terapia hormonal aos 12/13 anos de idade),
mas cirurgias reparadoras definitivas como a de transgenitalização, aos 16 anos é uma
idade que
ela considera , pelo menos por enquanto, a mais conveniente.
Por outro lado, ela advoga há já anos, a não adequação cirúrgica genital em bebês com
intersexo ou hermafroditismo, aguardando-se a livre manifestação do paciente antes de
qualquer intervenção, para que assim se evite futuros casos de transtornos de identidade de
gênero.
Agora, ela resolve disseminar mais seu conhecimento, enquanto é tempo, pois a idade chega, e também
o cansaço. Está desenvolvendo agora a GIDSchool.
Como professora, vem dando o curso de introdução desde 2002, só para alunos brasileiros, e
agora re-estrutura esse curso inicial, criando a GIDSchool.
É sempre convidada para dar aulas sobre esses assuntos... em cursos de pós-graduação "lato sensu"
no SBRASH em 1999, na UFRJ em 2005, etc..
Convidada a participar de meetings, pouco participa, por achar que o tempo sempre é esíguo,
e nada real pode-se mostrar... sempre se tornam reuniões sociais... ela preferiria bem
mais conferências abrangentes pela web, em banda larga...
Convidada por todas as redes de TV do Brasil, ela não quer aparecer (Fantástico na Globo,
programas na Band, SBT, etc...) pois gostaria de tratar de assuntos científicos, o que sempre é vedado
na mídia brasileira, que procura mais o sensacionalismo e a deformação do que a informação.
Para ela a GIDSchool é um sonho... que espera que frutifique... e seja a forma de disseminar e incrementar
conhecimento sobre as variâncias de gênero, tão complexas....e por isso mesmo desafiadoras...