Entrevista concedida por Dra.Martha Freitas

jornalista Karin Hueck da revista �Superinteressante

em 17 de dezembro de 2008.

 

Foi publicada pela Superinteressante uma mat�ria sobre o assunto � na edi��o 264.

 

 

 

Karin (K): Ol�

Meu nome � Karin, sou jornalista da revista Superinteressante e estou fazendo uma reportagem sobre crian�as que apresentam caracter�sticas transg�neres. A id�ia � explicar esse comportamento e discutir assuntos como o tratamento com horm�nios e a aceita��o da sexualidade das crian�as.
Para tanto, gostaria de conversar com a Dra. Martha sobre isso. N�o vou entrar em detalhes sobre a vida pessoal, mas apenas conversar sobre esses casos.
Fico esperando um contato.
Obrigada,

 

 

  1. Quais s�o os comportamentos mais comuns de crian�as com forma��o sexual at�pica?

 

Existem diferen�as fundamentais entre crian�as com desenvolvimento sexual at�pico (intersexo) e crian�as com desenvolvimento da auto-percep��o at�pica (Trans-alguma coisa)

 

Intersexo deixa sinais percept�veis nos tecidos genitais - por causas variadas (gen�ticas principalmente, mas end�crinas tamb�m, e do meio ambiente intra-uterino) - tenham essas varia��es influ�ncias ou n�o na auto-percep��o de g�nero da crian�a.

 

Trans-alguma coisa n�o diz respeito aos tecidos genitais - a crian�a nasce com a genit�lia perfeita masculina (M) ou feminina (F), e se auto-percebe de uma forma entre M e F, como uma TRANSi��o entre M e F. Chamamos de MtF quando a situa��o genital original � M e FtM quando a situa��o genital original � F.

 

Casos de Intersexo podem gerar crian�as com Trans-qualquer-coisa ou n�o. Podem gerar verdadeiras indetermina��es (em ingl�s estamos chamando de pessoas Ze - nem She nem He), que chamamos de Interg�nero (existem in�meras possibilidades, devido a in�meras causas).

 

Ent�o Trans-qualquer-coisa diz respeito a auto-percep��o (que tem forte rela��o com o c�rebro) - com genitais originais t�picos, M ou F, ou Intersexuais quando at�picos.

 

O comportamento de crian�as Trans-qualquer-coisa e/ou interxexuais? Quando se percebem, � de sentir uma DISFORIA - um mal estar.

 

2. Como os pais costumam lidar com crian�as com essas caracter�sticas?

 

IMAGINE.

 

O maior projeto de vida do casal - o filho, o rebento, o herdeiro - com problemas t�o fundamentais. Como intersexo com m� forma��o genital e com poss�veis problemas de auto-percep��o, ou como TRANS, mesmo com os genitais tipicos ao nascer.

 

� dif�cil entender.

 

� dif�cil aceitar.

 

A culpa � de quem? da Divindade, da gen�tica, do hor�scopo, dos esp�ritos, da natureza, uma fatalidade, a culpa � sua... mas sempre acaba caindo, direta ou indiretamente, na crian�a, alguma grave consequencia.

 

A primeira rea��o � esconder. Esquecer.

 

Da�, vem o reprimir.

 

Pode terminar como desprezar, agredir... torturar.

 

A imprensa, os meios de comunica��o, s�o importantes para que os pais e a sociedade passem a compreender. A conscientiza��o da realidade sobre o que realmente est� a acontecer poder� levar a ajudar e respeitar.

 

Como humanos que s�o, quaisquer que sejam as caracter�sticas que tenham, por mais especiais que sejam.

 

3. Tenho lido alguns textos que indicam que, nos EUA, o acompanhamento de crian�as transgender segue duas linhas muito distintas. H� os especialistas que defendem que o certo � proibir a crian�a de se portar como o sexo oposto, e h� os que acreditam que � correto deixar a crian�a se expressar e permitir que ela conviva em sociedade j� como membro do sexo oposto. Na experi�ncia da Sra, qual a maneira mais eficiente de lidar com isso? E quais s�o os pr�s e contra de cada corrente?

 

� verdade.

 

Na realidade s�o 4 linhas de pensamento e atua��o.

 

A. A linha mais tradicional, que come�ou a ser desenvolvida desde o Prof. Benjamin, que prescreve que pessoas com qualquer desenvolvimento inesperado de auto-percep��o de g�nero como TRANS-qualquer-coisa (transsexuais, travestis - ou transg�neros, crossdressers - ou transformistas, em v�rias grada��es) s�o intrinsecamente doentes � portadoras necessariamente de um transtorno de identidade de g�nero - GID (gender identity disorder), classificados na norma APA (American Psychiatry Association) DSM-IV dessa maneira, que faz com que o CID-10 (C�digo Internacional de Doen�as, d�cima vers�o), da OMS - Organiza��o Mundial da Saude, aceite oficialmente essa classifica��o. Sendo uma doen�a mental, cada paciente TRANS fica nas m�os dos �rg�os m�dicos que se colocam como tutores - sem se considerar as idades de cada pessoa. Quem manda � o psiquiatra, o psic�logo, que estabelece � revelia da vontade da pessoa o que pode e o que n�o pode,e se portacomo um goleiro no gol - ele est� l� para te impedir de passar. S� passa, se passar pelo goleiro.

Seguindo essa tend�ncia de �goal keeper�, os partid�rios dessa linha ideol�gica aceitam avaliar jovens e mesmo retardar a puberdade, e deixar que as crian�as se expressem com alguma autonomia, mas sempre com press�es, transformando com terapias continuadas e intermin�veis, a vida da crian�a num inferno.

 


B.A linha do Dr.Ken Zucker (do Instituto �Clarke� de Toronto) - que prop�e que essa situa��o de patologia mental pode ser modificada na inf�ncia, potencialmente, atrav�s de uma terapia de "convers�o" - ele se inspira nos mesmos equ�vocos de John Money que achava que a crian�a "aprendia a ser menino ou menina" at� os dois anos de idade - Money que se baseou em Freud, e Freud se baseou em Fliess, que n�o entendia nada do assunto, em pleno s�culo XIX. Essas teorias A e B apesar das evid�ncias em contr�rio que sobejam na literatura cient�fica, ainda est�oem moda, poisexiste forte apoio ideol�gico da associa��o de psiquiatras americanos - mas n�o t�o forte entre os psic�logos americanos. O debate internacional � intenso contra Ken Zucker e contra as APA�s (American Psychiatric Association e American Psychologic Association).

Essa � a linha da opress�o. Da tentativa de mudar o outro a si mesmo. Termina sempre em abuso e tortura.



C. A linha de Blanchard & Bailey, da Univeridade North-Western de Chicago. Eles dividem as pessoas TRANS em dois tipos: homossexuais, que categorizam como "normais", ou seja, uma Trans MtF gostar de homens � uma Trans MtF "normal". As outras Trans MtF (bissexuais, ou que gostam de mulheres) s�o "autoginef�licas", ou seja, por n�o gostaremde homens, mesmo assim com auto-percep��o de serem mulheres, eles categorizam como homens portadores de uma doen�a mental. Eles misturam genero com orienta��o sexual � na realidade eles classificam e categorizam n�o pelo g�nero da auto-percep��o mas pela orienta��o sexual -e s�o odiados no meio Trans. Simplesmente porque n�o sabem do que falam, e falam de forma desrespeitosa � chamando de homens quem n�o se sente homens e mulheres quem n�o se ente mulher. Um horror.

Essa linha � menos terap�utica e mais filos�fica. S�o gays, principalmente masculinos, querendo controlar a �comunidade trans�. � uma linha mais pol�tica que terap�utica � mas quando adentra a terapia termina sempre em abuso.



D. A posi��o mais moderna - que percebe que a auto-percep��o - que deriva do c�rebro e da vida - � uma coisa extremamente complexa - e n�o segue padr�es simples � e pode se desenvolver de forma muito inesperada. Existem pessoas que nascem como M's e se sentem muito bem como M's, e outras que se sentem mais ou menos bem, e algumas se sentem muito mal ese percebem radicalmente MtF's... e vice versa FtM's. Ou seja, a realidade � COMPLEXA, e existe uma enorme diversidade de desenvolvimentos na auto-percep��o, onde regrinhas simples de duas caixinhas ou potinhos - M e F n�o existem. As regrinhas do M e F estanques e exclusivos n�o s�o cient�ficas mas de fundo religioso e reprodutivo � s�o ideologias reprodutivas. A mera EXIST�NCIA na NATUREZA de interxexos e pessoas Trans de qualquer esp�cie, constituema maior evid�ncia de que os potinhos m�gicos n�o existem. Sendo um desenvolvimento natural essa diversidade � NATURAL e n�o patol�gica. Como dentro de uma esp�cie de �rvores numa floresta, cada esp�cime da �rvore � �nica e a diversidade � enorme e � natural. O normal � a DIVERSIDADE no desenvolvimento da auto-percep��o. Sendo assim, � INADMISS�VEL a TUTELA "a priori" quando ocorre um �desenvolvimento inesperado�, a menos que fique demonstrado que existem outras condi��es que levem a problemas mentais VERDADEIROS (como uma "co-morbidade" - na realidade como uma morbidade REAL).

Esta linha � centralizada no paciente � seja ele quem for. Em harmonia com os desejos do paciente, limitamos apenas quando existe comprova��o de problemas mentais reais. N�o incentivamos nem tolhemos. Observamos, analisamos e RECONHECEMOSas situa��es t�picas de desenvolvimento inesperado.

N�s da Gendercare estamos entre os pioneiros a propor mundialmente a posi��o D - que dia a dia ganha for�a, inclusive nas associa��es internacionais, como a OII-Organization Intersex International e WGC-World Gender Coalition (onde essa posi��o D � a posi��o oficial publicada das sociedades), das quais somos membros do board de diretores e mesmo na HBIGDA/WPATH, a associa��o fundada por Harry Benjamin, na qual somos membros titulares h� anos � e na qual hoje em dia se discutem essas linhas de atua��o, ganhando cada vez mais for�a a posi��o D.

 

4. Quais podem ser os efeitos de proibir a crian�a de se vestir e portar como o sexo oposto?

 

A crian�a que percebe que � diferente - e elas percebem - logo procura se abrir com algu�m.

 

O ideal � que possam contar com o suporte dos pais.

 

Se os pais s�o abertos e instru�dos, podem ajudar e muito - ao procurarem por exemplo a Gendercare.com - que ir� ajudar a crian�a e os pais. Se procurarem "terapeutas" embasados em Freud ou John Money... provavelmente far�o da vida da crian�a um inferno... e se sentir�o em Guantanamo... como torturadores de criancinhas.

 

Pais agressivos, humilhar�o a crian�a, e ela se fechar� - se for inteligente. Se isolar�.

 

Ou poder� se tornar agressiva.

 

N�o existem regras simples - para problemas complexos como estes.

 

Mas respeito � sempre bom - e todo mundo gosta - inclusive as crian�as.

 

Na Gendercare.com, temos algumas normas de respeito a serem seguidas:

 

a.Tudo o que fazemos � centralizado no paciente - ele tenha 1 ano ou 100 anos - seja intersexual ou n�o, trans ou n�o, tenha ou n�o problemas mentais reais.

 

b.Nunca centralizamos em nossas id�ias ou nas conveni�ncias de pais, fam�lia, sociedade ou mesmo do Estado - porque vivemos num Estado obsoleto e atrasado ao tratar desses assuntos - e nossa legisla��o sobre o assunto, inexiste - ou � paleol�tica.

 

c.S� atuamos quando o paciente diretamente consente, de forma consciente - nunca com base nos desejos de pais, m�dicos ou outrem.

 

d.S� atuamos ap�s termos pesquisado detalhadamente OS LIMITES do paciente e da situa��o - qualquer que seja o paciente.

 

Seria �timo se outros seguissem essas normas de respeito simples - no exterior alguns j� seguem - mas aqui, fora da Gendercare n�o conhecemos ningu�m.



Sendo assim, julgamos que devemos deixar a crian�a EXPERIMENTAR e veremos como se comporta. Se se sente bem ou mal. O que importa � estudarmos como a crian�a reage e avaliarmos e RECONHECERMOSas situa��es t�picas. Reprimir � sempre a pior alternativa.

5. A sra. j� lidou com crian�as com esse comportamento? Como foi?

 

Muitas.

 

Eu vivi essa realidade, estou sempre dos dois lados da mesa, como especialista e como ex-paciente.

 

Um ambiente de ajuda na avalia��o - e depois se for o caso, na transi��o - MtF ou FtM, na intensidade que for necess�ria - sempre ajuda muito.

 

O que � pior � a ignor�ncia de pais e "especialistas" e mesmo de "equipes multi-disciplinares" que n�o entendem do assunto.

 

Pior que essa ignorancia s� a prepot�ncia dos "tutores" - entre eles os m�dicos e psic�logos s�o os piores - geralmente com o corporativismo permitido e fomentado pelo Estado.

 

6. Um dos tratamentos que vem sendo sugeridos para crian�as que apresentam muito fortemente esses tra�os s�o os horm�nios que bloqueiam a puberdade. Que efeitos t�m essas subst�ncias no corpo do pr�-adolescente? Quais as vantagens e desvantagens desses horm�nios?

 

Voc� colocou bem - nos pr�-adolescentes.

 

Antes da pr�-adolesc�ncia, se come�armos CEDO a avaliar a crian�a, teremos ANOS DE CONHECIMENTO sobre ela e seu desenvolvimento, e qualquer erro ser� absolutamente MINIMIZADO.

 

Para isso, desenvolvemos a id�ia - in�dita no mundo at� hoje, e desenvolvida na Gendercare.com ainda em 2003 - dos GAME-TESTS.

 

Games para avalia��o de crian�as pela web, ao longo de anos.

 

A crian�a com disforia de g�nero - seja Trans-qualquer-que-seja, quando se sente sozinha, ela se mostra, por suas escolhas. Em p�blico ela pode ESCONDER as escolhas - mas se sentindo s� ela se mostra.

 

A id�ia � induzir a crian�a a jogar sozinha o jogo - e se mostrar - e estaremos recebendo seus dados na Gendercare e avaliando suas rea��es sem que ela perceba.

 

Come�amos com 5/6 anos de idade - se os pais quiserem - e at� a pr�-adolesc�ncia, digamos 10/11 anos, teremos 4,5 anos de avalia��o.

 

� imposs�vel errar.

 

Nunca erramos.

 

� importante retardar a adolesc�ncia, e hormonizar a crian�a antes que a adolesc�ncia destrua o corpo, para termos depois que reformar. Formar � muito melhor que reformar.

 

Precisamos desesperadamente de parceiros para desenvolver mais e melhor esses jogos. Os que desenvolvemos e usamos hoje s�o ainda muito rudimentares - podemos desenvolver sem custos exorbitantes e com auxilio profissional especializado, game-tests profissionais de alta qualidade. O SUS seria um �timo parceiro - ou alguma institui��o universit�ria, ou hospital universit�rio brasileiro - pois esse programa tem �mbito internacional, por nosso pioneirismo e reconhecimento mundial. A participa��o do SUS ou de outra entidade lhes refor�aria o prest�gio internacional. Mas precisamos que o SUS ou essa institui��o n�o se feche em si mesma - como infelizmente acontece quase sempre quando algu�m desenvolve alguma boa id�ia no Brasil.

O brasileiro parece que tem medo de desenvolver o novo - gosta mesmo � de copiar o que os outros desenvolvem antes dele.

 

7. Li uma estat�stica que diz que apenas 20% dos meninos que na inf�ncia se vestiam e portavam como meninas acabam optando pela mudan�a de sexo na vida adulta. Como � poss�vel, com seguran�a, tomar a decis�o de receitar horm�nios bloqueadores para crian�as?

 

Essa estat�stica vem do Ken Zucker. Meu amigo pessoal, j� trocamos papers e informa��es, mas afirmo - n�o acreditem nele.

 

Al�m disso, depois de avaliarmos por alguns anos a crian�a, saberemos com certeza quem ela � e como se desenvolve.

 

Nesse caso, o que importa � cada crian�a - as estat�sticas n�o importam.

 

Se pudermos desenvolver e aplicar nossos games durantes alguns anos, pelo SUS, em crian�as possivelmente com problemas, ter�amos estat�sticas muito superiores �s viciadas de Ken Zucker.

 

8. Se a crian�a n�o for indicada para esse tratamento, o que pode ser feito para que ela ad�q�e seu sexo com seu corpo?

 

Por exemplo se a crian�a for um menino - nasceu com genitais M sem intersexo percept�vel.

 

Esse menino pode se mostrar com o tempo, para a Gendercare atrav�s de nossos games, se � menino hetero, menino homo, menino bi, menino que � parcialmente MtF, menino que � um Ze intermedi�rio, ou na realidade UMA MENINA MtF!

 

Cada caso deve ser avaliado e tratado na sua medida!

 

N�o h� erro poss�vel!

 

Seria importante disseminar essa possibilidade pelo SUS, para avaliar as crian�as, que podem estar sofrendo de uma disforia - ou n�o!

 

9. Bloquear a puberdade � um tratamento considerado radical?

 

N�o quando necess�rio. E muitas vezes � absolutamente necess�rio!

 

Mas se n�o for necess�rio ser� um absurdo!

 

Por isso o importante � ter conhecimento para avaliar corretamente. E ter a chance de avaliar cada crian�a possivelmente com uma auto-identifica��o que chamamos de INESPERADA.

 

O mais cedo poss�vel, devemos come�ar as avalia��es de crian�as!

 

10. Quais as maiores dificuldade encontradas por quem resolve assumir uma nova identidade no sexo oposto ao do nascimento?

 

� uma cat�strofe.

 

Na realidade, � um EVENTO EXTREMO cientificamente.

 

Todo sistema natural e auto-similar, desenvolve eventos extremos, e a auto-percep��o � um desenvolvimento natural.

 

Mas o evento extremo em coisa t�o sens�vel � vivido como uma trag�dia, pela crian�a. Mas se os pais nos deixam avaliar, e ficam conscientes de como ajudar, a cat�strofe se esvazia.

 

N�o podemos impedir a cat�strofe, como n�o podemos prevenir eventos extremos como terremotos ou fura��es.

 

Mas podemos minimizar os danos.

 

Em eventos extremos,minimizamos os danos.

 

Respeito � a palavra chave - avalia��o precoce � outra - para podermos minimizar os danos.

 

Prepot�ncia, tutela e ignor�ncia, s�o as atitudes odiosas nesses casos - que geram mais danos.

 

11. Como � o tratamento dado aos transexuais no Brasil? A situa��o tem melhorado nos �ltimos anos?

 

Depende.

 

A Gendercare est� na rede internacional e hospedada nos USA e a maior parte de nossos pacientes s�o estrangeiros. Mas somos brasileiros, a Gendercare.com � brasileira.

 

A Gendercare, estamos convenciodos, � o que existe de melhor para avaliar casos de auto-percep��o de g�nero - qualquer que seja o caso.

 

A avalia��o � r�pida - em 2 meses a pessoa � avaliada, quando adulta. E as crian�as s�o avaliadas antes da puberdade.

 

A avalia��o � barata - � acess�vel pela internet - em 4 linguas. Com a inclus�o digital, ela � muito mais barata que enormes equipes lentas e paquid�rmicas - que andam no escuro, tateando sem saber onde ir.

 

Mas os programas universit�rios... os programas do SUS... est�o na idade da pedra.

 

Avalia��es traum�ticas, cansativas, imprecisas, demoradas... muito desrespeito, muita humilha��o, muito EQU�VOCO...

 

Exigem dois anos de avalia��o, como um per�odo CABAL�STICO.

Na realidade existe um erro de INTERPRETA��O nesses dois anos. N�s na HBIGDA/WPATH estabelecemos a necessidade de um per�odo de vida no genero desejado - RLE - "real life experience" como uma forma adequada de verificar-se experimentalmente a adaptabilidade da pessoa. Essa RLE deveria demorar de um a dois anos.

Na realidade essa necessidade est� sendo revista, pois ela se mostra opressiva e at� perigosa, em muitos ambientes - j� que pessoas em transi��o FOR�ADA pela RLE foram agrecidas em escolas e mesmo assassinadas, sem contar a multid�o que v� as portas profissionais, acad�micas e de sobreviv�ncia fechadas.

Entre as MtF se estava percebeno que a RLE estava produzindo pessoas com traumas e sem perspectivas, assassinatos, suic�dios, agress�es e frustra��es.

A RLE passou a ser muito questionada e hoje em dia poucos a consideram seriamente - n�s a desconsideramos na Gendercare - e lutamos contra ela na HBIGDA/WPATH.

Mas por outro lado, mesmo que a AVALIA��O E O RECONHECIMENTO n�o precisem de um prazo fixo longo, principalmente em adultos, o CORPO EXIGE TEMPO para sua transi��o natural MtF ou FtM - e esse tempo � de aproximadamente de um a dois anos.

Mas s�o coisas DIFERENTES. Uma coisa � a necessidade da Natureza. Outra � a prepot�ncia da ignor�ncia humana.N�s propomos sempre que desejado e poss�vel, a viv�ncia desses anos de transi��o - sempre dif�ceis - como anos num "casulo", de prepara��o para uma nova carreira profissional e de vida social e afetiva, al�m de sexual, para a pessoa que se transiciona.

Passa a ser um per�odo de dificuldade controlada, e de prepara��o em todos os sentidos - e n�o de opress�o e de exposi��o ao rid�culo.

 

Na realidade estabelecemos esses dois anos cabal�sticos de exposi��o social na HBIGDA/WPATH no passado e isso j� est� sendo alterado para a necessidade de tempo para a transi��o - mas sem a necessidade da exposi��o social!

 

E o que � pior... as as cirurgias de "mudan�a de sexo" (na realidade de redesigna��o ou readequa��o sexual) feitas nos hospitais no Brasil, nos programas gratuitos e mesmo algumas pagas (e muito bem pagas) ... essas s�o catastr�ficas, para as transsexuais MtF.... cirurgias da pior qualidade pois muitas mutilam, quase todas impedem o orgasmo... que colapsam... revis�es e mais revis�es sem fim... um horror.

 

As pacientes Gendercare operam com o que existe de melhor - no Brasil s� Dr.Jurado (Jundia�) ou Cury (S�o Jos� do Rio Preto), mas o ideal mesmo � na Thailandia (Dr.Suporn, Preecha, Kamol). Ficam perfeitas... org�smicas... em todos os sentidos.

 

O ideal seria o SUS nos permitir PARTICIPAR E ORIENTAR O PROGRAMA P�BLICO.

 

A Gendercare poderia ORIENTAR os programas, AVALIANDO TODAS AS PACIENTES PELO SUS... crian�as atrav�s dos games, cada vez mais desenvolvidos COM O SUS..., adultos atrav�s de testes j� desenvolvidos plenamente pela Gendercare... e ajudar�amos a colocar cirurgi�es competentes e interessados na THAILANDIA para fazerem est�gios com os melhores cirurgi�es ... para operarem para o SUS usando o que existe de melhor... e n�o mutilando e experimentando em cobaias humanas como fazem hoje em dia.

 

Fazendo o melhor p�s-operat�rio... que hoje n�o sabem fazer no Brasil...

 

Mas como n�o sou m�dica... N�O ME OUVEM.

 

Tenho um Mestrado em Sexologia - que para eles, mesmo com o meu Cum Laudae, nada vale.

 

E ficam nessa mediocridade.

 

Uma pena!

 

Quem sabe o Ministro Tempor�o e o Beltrame do Rio, n�o l�m a Superinteressante?

 

 

Dra.Martha Freitas, MSc., Ph.D.

Gendercare Gender Clinic

Membro da HBIGDA/WPATH

Membro do board da OII

Membro do Board da WGC

Autora de Meu Sexo Real , Vozes, 1998

 

 

Ol�, Dra. Martha!

Muito obrigada por sua resposta. Geralmente, prefiro fazer as entrevistas ao vivo ou por telefone, mas podemos fazer por e-mail tamb�m. Por isso, redigi as perguntas para a Sra. Caso ainda restem d�vidas depois dessas, podemos nos falar tamb�m?


N�o sei se usei os termos corretos na hora da elabora��o das perguntas. Se cometi algum deslize nos termos, por favor, me avise.


Muito obrigada pela ajuda!


Karin

 

2009/4/2 Torrwad <torrwad>

Karin

 

Saiu a Superinteressante com o assunto?

Considerou alguma coisa que conversamos?

 

Obrigada

 

Dra.Torres

Gendercare

 

 

From: Karin Hueck

To: Torrwad

Sent: Thursday, April 02, 2009 7:38 PM

Subject: Re: [Polesoft Antispam]Re: para completar

 

Oi, Dra. Torres, tudo bem?
A mat�ria saiu, sim, na edi��o que est� nas bancas. Aproveitei algumas coisas da nossa conversa, embora n�o em forma de cita��es, mas sim, em forma de conceitos. Se a Sra. ler o texto, ver�.
Mais uma vez, obrigada pela ajuda,
Abs,
Karin