Entrevista concedida por Dra.Martha Freitas

à jornalista Karin Hueck da revista “Superinteressante

em 17 de dezembro de 2008.

 

Foi publicada pela Superinteressante uma matéria sobre o assunto – na edição 264.

 

 

 

Karin (K): Olá

Meu nome é Karin, sou jornalista da revista Superinteressante e estou fazendo uma reportagem sobre crianças que apresentam características transgêneres. A idéia é explicar esse comportamento e discutir assuntos como o tratamento com hormônios e a aceitação da sexualidade das crianças.
Para tanto, gostaria de conversar com a Dra. Martha sobre isso. Não vou entrar em detalhes sobre a vida pessoal, mas apenas conversar sobre esses casos.
Fico esperando um contato.
Obrigada,

 

 

  1. Quais são os comportamentos mais comuns de crianças com formação sexual atípica?

 

Existem diferenças fundamentais entre crianças com desenvolvimento sexual atípico (intersexo) e crianças com desenvolvimento da auto-percepção atípica (Trans-alguma coisa)

 

Intersexo deixa sinais perceptíveis nos tecidos genitais - por causas variadas (genéticas principalmente, mas endócrinas também, e do meio ambiente intra-uterino) - tenham essas variações influências ou não na auto-percepção de gênero da criança.

 

Trans-alguma coisa não diz respeito aos tecidos genitais - a criança nasce com a genitália perfeita masculina (M) ou feminina (F), e se auto-percebe de uma forma entre M e F, como uma TRANSição entre M e F. Chamamos de MtF quando a situação genital original é M e FtM quando a situação genital original é F.

 

Casos de Intersexo podem gerar crianças com Trans-qualquer-coisa ou não. Podem gerar verdadeiras indeterminações (em inglês estamos chamando de pessoas Ze - nem She nem He), que chamamos de Intergênero (existem inúmeras possibilidades, devido a inúmeras causas).

 

Então Trans-qualquer-coisa diz respeito a auto-percepção (que tem forte relação com o cérebro) - com genitais originais típicos, M ou F, ou Intersexuais quando atípicos.

 

O comportamento de crianças Trans-qualquer-coisa e/ou interxexuais? Quando se percebem, é de sentir uma DISFORIA - um mal estar.

 

2. Como os pais costumam lidar com crianças com essas características?

 

IMAGINE.

 

O maior projeto de vida do casal - o filho, o rebento, o herdeiro - com problemas tão fundamentais. Como intersexo com má formação genital e com possíveis problemas de auto-percepção, ou como TRANS, mesmo com os genitais tipicos ao nascer.

 

É difícil entender.

 

É difícil aceitar.

 

A culpa é de quem? da Divindade, da genética, do horóscopo, dos espíritos, da natureza, uma fatalidade, a culpa é sua... mas sempre acaba caindo, direta ou indiretamente, na criança, alguma grave consequencia.

 

A primeira reação é esconder. Esquecer.

 

Daí, vem o reprimir.

 

Pode terminar como desprezar, agredir... torturar.

 

A imprensa, os meios de comunicação, são importantes para que os pais e a sociedade passem a compreender. A conscientização da realidade sobre o que realmente está a acontecer poderá levar a ajudar e respeitar.

 

Como humanos que são, quaisquer que sejam as características que tenham, por mais especiais que sejam.

 

3. Tenho lido alguns textos que indicam que, nos EUA, o acompanhamento de crianças transgender segue duas linhas muito distintas. Há os especialistas que defendem que o certo é proibir a criança de se portar como o sexo oposto, e há os que acreditam que é correto deixar a criança se expressar e permitir que ela conviva em sociedade já como membro do sexo oposto. Na experiência da Sra, qual a maneira mais eficiente de lidar com isso? E quais são os prós e contra de cada corrente?

 

É verdade.

 

Na realidade são 4 linhas de pensamento e atuação.

 

A. A linha mais tradicional, que começou a ser desenvolvida desde o Prof. Benjamin, que prescreve que pessoas com qualquer desenvolvimento inesperado de auto-percepção de gênero como TRANS-qualquer-coisa (transsexuais, travestis - ou transgêneros, crossdressers - ou transformistas, em várias gradações) são intrinsecamente doentes – portadoras necessariamente de um transtorno de identidade de gênero - GID (gender identity disorder), classificados na norma APA (American Psychiatry Association) DSM-IV dessa maneira, que faz com que o CID-10 (Código Internacional de Doenças, décima versão), da OMS - Organização Mundial da Saude, aceite oficialmente essa classificação. Sendo uma doença mental, cada paciente TRANS fica nas mãos dos órgãos médicos que se colocam como tutores - sem se considerar as idades de cada pessoa. Quem manda é o psiquiatra, o psicólogo, que estabelece à revelia da vontade da pessoa o que pode e o que não pode,e se porta  como um goleiro no gol - ele está lá para te impedir de passar. Só passa, se passar pelo goleiro.

Seguindo essa tendência de “goal keeper”, os partidários dessa linha ideológica aceitam avaliar jovens e mesmo retardar a puberdade, e deixar que as crianças se expressem com alguma autonomia, mas sempre com pressões, transformando com terapias continuadas e intermináveis, a vida da criança num inferno.

 


B.A linha do Dr.Ken Zucker (do Instituto “Clarke” de Toronto) - que propõe que essa situação de patologia mental pode ser modificada na infância, potencialmente, através de uma terapia de "conversão" - ele se inspira nos mesmos equívocos de John Money que achava que a criança "aprendia a ser menino ou menina" até os dois anos de idade - Money que se baseou em Freud, e Freud se baseou em Fliess, que não entendia nada do assunto, em pleno século XIX. Essas teorias A e B apesar das evidências em contrário que sobejam na literatura científica, ainda estão  em moda, pois  existe forte apoio ideológico da associação de psiquiatras americanos - mas não tão forte entre os psicólogos americanos. O debate internacional é intenso contra Ken Zucker e contra as APA’s (American Psychiatric Association e American Psychologic Association).

Essa é a linha da opressão. Da tentativa de mudar o outro a si mesmo. Termina sempre em abuso e tortura.



C. A linha de Blanchard & Bailey, da Univeridade North-Western de Chicago. Eles dividem as pessoas TRANS em dois tipos: homossexuais, que categorizam como "normais", ou seja, uma Trans MtF gostar de homens é uma Trans MtF "normal". As outras Trans MtF (bissexuais, ou que gostam de mulheres) são "autoginefílicas", ou seja, por não gostarem  de homens, mesmo assim com auto-percepção de serem mulheres, eles categorizam como homens portadores de uma doença mental. Eles misturam genero com orientação sexual – na realidade eles classificam e categorizam não pelo gênero da auto-percepção mas pela orientação sexual -  e são odiados no meio Trans. Simplesmente porque não sabem do que falam, e falam de forma desrespeitosa – chamando de homens quem não se sente homens e mulheres quem não se ente mulher. Um horror.

Essa linha é menos terapêutica e mais filosófica. São gays, principalmente masculinos, querendo controlar a “comunidade trans”. É uma linha mais política que terapêutica – mas quando adentra a terapia termina sempre em abuso.



D. A posição mais moderna - que percebe que a auto-percepção - que deriva do cérebro e da vida - é uma coisa extremamente complexa - e não segue padrões simples – e pode se desenvolver de forma muito inesperada. Existem pessoas que nascem como M's e se sentem muito bem como M's, e outras que se sentem mais ou menos bem, e algumas se sentem muito mal e  se percebem radicalmente MtF's... e vice versa FtM's. Ou seja, a realidade é COMPLEXA, e existe uma enorme diversidade de desenvolvimentos na auto-percepção, onde regrinhas simples de duas caixinhas ou potinhos - M e F não existem. As regrinhas do M e F estanques e exclusivos não são científicas mas de fundo religioso e reprodutivo – são ideologias reprodutivas. A mera EXISTÊNCIA na NATUREZA de interxexos e pessoas Trans de qualquer espécie, constituem  a maior evidência de que os potinhos mágicos não existem. Sendo um desenvolvimento natural essa diversidade é NATURAL e não patológica. Como dentro de uma espécie de árvores numa floresta, cada espécime da árvore é única e a diversidade é enorme e é natural. O normal é a DIVERSIDADE no desenvolvimento da auto-percepção. Sendo assim, é INADMISSÍVEL a TUTELA "a priori" quando ocorre um “desenvolvimento inesperado”, a menos que fique demonstrado que existem outras condições que levem a problemas mentais VERDADEIROS (como uma "co-morbidade" - na realidade como uma morbidade REAL).

Esta linha é centralizada no paciente – seja ele quem for. Em harmonia com os desejos do paciente, limitamos apenas quando existe comprovação de problemas mentais reais. Não incentivamos nem tolhemos. Observamos, analisamos e RECONHECEMOS  as situações típicas de desenvolvimento inesperado.

Nós da Gendercare estamos entre os pioneiros a propor mundialmente a posição D - que dia a dia ganha força, inclusive nas associações internacionais, como a OII-Organization Intersex International e WGC-World Gender Coalition (onde essa posição D é a posição oficial publicada das sociedades), das quais somos membros do board de diretores e mesmo na HBIGDA/WPATH, a associação fundada por Harry Benjamin, na qual somos membros titulares anos – e na qual hoje em dia se discutem essas linhas de atuação, ganhando cada vez mais força a posição D.

 

4. Quais podem ser os efeitos de proibir a criança de se vestir e portar como o sexo oposto?

 

A criança que percebe que é diferente - e elas percebem - logo procura se abrir com alguém.

 

O ideal é que possam contar com o suporte dos pais.

 

Se os pais são abertos e instruídos, podem ajudar e muito - ao procurarem por exemplo a Gendercare.com - que irá ajudar a criança e os pais. Se procurarem "terapeutas" embasados em Freud ou John Money... provavelmente farão da vida da criança um inferno... e se sentirão em Guantanamo... como torturadores de criancinhas.

 

Pais agressivos, humilharão a criança, e ela se fechará - se for inteligente. Se isolará.

 

Ou poderá se tornar agressiva.

 

Não existem regras simples - para problemas complexos como estes.

 

Mas respeito é sempre bom - e todo mundo gosta - inclusive as crianças.

 

Na Gendercare.com, temos algumas normas de respeito a serem seguidas:

 

a.Tudo o que fazemos é centralizado no paciente - ele tenha 1 ano ou 100 anos - seja intersexual ou não, trans ou não, tenha ou não problemas mentais reais.

 

b.Nunca centralizamos em nossas idéias ou nas conveniências de pais, família, sociedade ou mesmo do Estado - porque vivemos num Estado obsoleto e atrasado ao tratar desses assuntos - e nossa legislação sobre o assunto, inexiste - ou é paleolítica.

 

c.Só atuamos quando o paciente diretamente consente, de forma consciente - nunca com base nos desejos de pais, médicos ou outrem.

 

d.Só atuamos após termos pesquisado detalhadamente OS LIMITES do paciente e da situação - qualquer que seja o paciente.

 

Seria ótimo se outros seguissem essas normas de respeito simples - no exterior alguns já seguem - mas aqui, fora da Gendercare não conhecemos ninguém.



Sendo assim, julgamos que devemos deixar a criança EXPERIMENTAR e veremos como se comporta. Se se sente bem ou mal. O que importa é estudarmos como a criança reage e avaliarmos e RECONHECERMOS  as situações típicas. Reprimir é sempre a pior alternativa.

5. A sra. já lidou com crianças com esse comportamento? Como foi?

 

Muitas.

 

Eu vivi essa realidade, estou sempre dos dois lados da mesa, como especialista e como ex-paciente.

 

Um ambiente de ajuda na avaliação - e depois se for o caso, na transição - MtF ou FtM, na intensidade que for necessária - sempre ajuda muito.

 

O que é pior é a ignorância de pais e "especialistas" e mesmo de "equipes multi-disciplinares" que não entendem do assunto.

 

Pior que essa ignorancia só a prepotência dos "tutores" - entre eles os médicos e psicólogos são os piores - geralmente com o corporativismo permitido e fomentado pelo Estado.

 

6. Um dos tratamentos que vem sendo sugeridos para crianças que apresentam muito fortemente esses traços são os hormônios que bloqueiam a puberdade. Que efeitos têm essas substâncias no corpo do pré-adolescente? Quais as vantagens e desvantagens desses hormônios?

 

Você colocou bem - nos pré-adolescentes.

 

Antes da pré-adolescência, se começarmos CEDO a avaliar a criança, teremos ANOS DE CONHECIMENTO sobre ela e seu desenvolvimento, e qualquer erro será absolutamente MINIMIZADO.

 

Para isso, desenvolvemos a idéia - inédita no mundo até hoje, e desenvolvida na Gendercare.com ainda em 2003 - dos GAME-TESTS.

 

Games para avaliação de crianças pela web, ao longo de anos.

 

A criança com disforia de gênero - seja Trans-qualquer-que-seja, quando se sente sozinha, ela se mostra, por suas escolhas. Em público ela pode ESCONDER as escolhas - mas se sentindo só ela se mostra.

 

A idéia é induzir a criança a jogar sozinha o jogo - e se mostrar - e estaremos recebendo seus dados na Gendercare e avaliando suas reações sem que ela perceba.

 

Começamos com 5/6 anos de idade - se os pais quiserem - e até a pré-adolescência, digamos 10/11 anos, teremos 4,5 anos de avaliação.

 

É impossível errar.

 

Nunca erramos.

 

É importante retardar a adolescência, e hormonizar a criança antes que a adolescência destrua o corpo, para termos depois que reformar. Formar é muito melhor que reformar.

 

Precisamos desesperadamente de parceiros para desenvolver mais e melhor esses jogos. Os que desenvolvemos e usamos hoje são ainda muito rudimentares - podemos desenvolver sem custos exorbitantes e com auxilio profissional especializado, game-tests profissionais de alta qualidade. O SUS seria um ótimo parceiro - ou alguma instituição universitária, ou hospital universitário brasileiro - pois esse programa tem âmbito internacional, por nosso pioneirismo e reconhecimento mundial. A participação do SUS ou de outra entidade lhes reforçaria o prestígio internacional. Mas precisamos que o SUS ou essa instituição não se feche em si mesma - como infelizmente acontece quase sempre quando alguém desenvolve alguma boa idéia no Brasil.

O brasileiro parece que tem medo de desenvolver o novo - gosta mesmo é de copiar o que os outros desenvolvem antes dele.

 

7. Li uma estatística que diz que apenas 20% dos meninos que na infância se vestiam e portavam como meninas acabam optando pela mudança de sexo na vida adulta. Como é possível, com segurança, tomar a decisão de receitar hormônios bloqueadores para crianças?

 

Essa estatística vem do Ken Zucker. Meu amigo pessoal, já trocamos papers e informações, mas afirmo - não acreditem nele.

 

Além disso, depois de avaliarmos por alguns anos a criança, saberemos com certeza quem ela é e como se desenvolve.

 

Nesse caso, o que importa é cada criança - as estatísticas não importam.

 

Se pudermos desenvolver e aplicar nossos games durantes alguns anos, pelo SUS, em crianças possivelmente com problemas, teríamos estatísticas muito superiores às viciadas de Ken Zucker.

 

8. Se a criança não for indicada para esse tratamento, o que pode ser feito para que ela adéqüe seu sexo com seu corpo?

 

Por exemplo se a criança for um menino - nasceu com genitais M sem intersexo perceptível.

 

Esse menino pode se mostrar com o tempo, para a Gendercare através de nossos games, se é menino hetero, menino homo, menino bi, menino que é parcialmente MtF, menino que é um Ze intermediário, ou na realidade UMA MENINA MtF!

 

Cada caso deve ser avaliado e tratado na sua medida!

 

Não há erro possível!

 

Seria importante disseminar essa possibilidade pelo SUS, para avaliar as crianças, que podem estar sofrendo de uma disforia - ou não!

 

9. Bloquear a puberdade é um tratamento considerado radical?

 

Não quando necessário. E muitas vezes é absolutamente necessário!

 

Mas se não for necessário será um absurdo!

 

Por isso o importante é ter conhecimento para avaliar corretamente. E ter a chance de avaliar cada criança possivelmente com uma auto-identificação que chamamos de INESPERADA.

 

O mais cedo possível, devemos começar as avaliações de crianças!

 

10. Quais as maiores dificuldade encontradas por quem resolve assumir uma nova identidade no sexo oposto ao do nascimento?

 

É uma catástrofe.

 

Na realidade, é um EVENTO EXTREMO cientificamente.

 

Todo sistema natural e auto-similar, desenvolve eventos extremos, e a auto-percepção é um desenvolvimento natural.

 

Mas o evento extremo em coisa tão sensível é vivido como uma tragédia, pela criança. Mas se os pais nos deixam avaliar, e ficam conscientes de como ajudar, a catástrofe se esvazia.

 

Não podemos impedir a catástrofe, como não podemos prevenir eventos extremos como terremotos ou furações.

 

Mas podemos minimizar os danos.

 

Em eventos extremos,minimizamos os danos.

 

Respeito é a palavra chave - avaliação precoce é outra - para podermos minimizar os danos.

 

Prepotência, tutela e ignorância, são as atitudes odiosas nesses casos - que geram mais danos.

 

11. Como é o tratamento dado aos transexuais no Brasil? A situação tem melhorado nos últimos anos?

 

Depende.

 

A Gendercare está na rede internacional e hospedada nos USA e a maior parte de nossos pacientes são estrangeiros. Mas somos brasileiros, a Gendercare.com é brasileira.

 

A Gendercare, estamos convenciodos, é o que existe de melhor para avaliar casos de auto-percepção de gênero - qualquer que seja o caso.

 

A avaliação é rápida - em 2 meses a pessoa é avaliada, quando adulta. E as crianças são avaliadas antes da puberdade.

 

A avaliação é barata - é acessível pela internet - em 4 linguas. Com a inclusão digital, ela é muito mais barata que enormes equipes lentas e paquidérmicas - que andam no escuro, tateando sem saber onde ir.

 

Mas os programas universitários... os programas do SUS... estão na idade da pedra.

 

Avaliações traumáticas, cansativas, imprecisas, demoradas... muito desrespeito, muita humilhação, muito EQUÍVOCO...

 

Exigem dois anos de avaliação, como um período CABALÍSTICO.

Na realidade existe um erro de INTERPRETAÇÃO nesses dois anos. Nós na HBIGDA/WPATH estabelecemos a necessidade de um período de vida no genero desejado - RLE - "real life experience" como uma forma adequada de verificar-se experimentalmente a adaptabilidade da pessoa. Essa RLE deveria demorar de um a dois anos.

Na realidade essa necessidade está sendo revista, pois ela se mostra opressiva e até perigosa, em muitos ambientes - já que pessoas em transição FORÇADA pela RLE foram agrecidas em escolas e mesmo assassinadas, sem contar a multidão que vê as portas profissionais, acadêmicas e de sobrevivência fechadas.

Entre as MtF se estava percebeno que a RLE estava produzindo pessoas com traumas e sem perspectivas, assassinatos, suicídios, agressões e frustrações.

A RLE passou a ser muito questionada e hoje em dia poucos a consideram seriamente - nós a desconsideramos na Gendercare - e lutamos contra ela na HBIGDA/WPATH.

Mas por outro lado, mesmo que a AVALIAÇÃO E O RECONHECIMENTO não precisem de um prazo fixo longo, principalmente em adultos, o CORPO EXIGE TEMPO para sua transição natural MtF ou FtM - e esse tempo é de aproximadamente de um a dois anos.

Mas são coisas DIFERENTES. Uma coisa é a necessidade da Natureza. Outra é a prepotência da ignorância humana.Nós propomos sempre que desejado e possível, a vivência desses anos de transição - sempre difíceis - como anos num "casulo", de preparação para uma nova carreira profissional e de vida social e afetiva, além de sexual, para a pessoa que se transiciona.

Passa a ser um período de dificuldade controlada, e de preparação em todos os sentidos - e não de opressão e de exposição ao ridículo.

 

Na realidade estabelecemos esses dois anos cabalísticos de exposição social na HBIGDA/WPATH no passado e isso já está sendo alterado para a necessidade de tempo para a transição - mas sem a necessidade da exposição social!

 

E o que é pior... as as cirurgias de "mudança de sexo" (na realidade de redesignação ou readequação sexual) feitas nos hospitais no Brasil, nos programas gratuitos e mesmo algumas pagas (e muito bem pagas) ... essas são catastróficas, para as transsexuais MtF.... cirurgias da pior qualidade pois muitas mutilam, quase todas impedem o orgasmo... que colapsam... revisões e mais revisões sem fim... um horror.

 

As pacientes Gendercare operam com o que existe de melhor - no Brasil só Dr.Jurado (Jundiaí) ou Cury (São José do Rio Preto), mas o ideal mesmo é na Thailandia (Dr.Suporn, Preecha, Kamol). Ficam perfeitas... orgásmicas... em todos os sentidos.

 

O ideal seria o SUS nos permitir PARTICIPAR E ORIENTAR O PROGRAMA PÚBLICO.

 

A Gendercare poderia ORIENTAR os programas, AVALIANDO TODAS AS PACIENTES PELO SUS... crianças através dos games, cada vez mais desenvolvidos COM O SUS..., adultos através de testes já desenvolvidos plenamente pela Gendercare... e ajudaríamos a colocar cirurgiões competentes e interessados na THAILANDIA para fazerem estágios com os melhores cirurgiões ... para operarem para o SUS usando o que existe de melhor... e não mutilando e experimentando em cobaias humanas como fazem hoje em dia.

 

Fazendo o melhor pós-operatório... que hoje não sabem fazer no Brasil...

 

Mas como não sou médica... NÃO ME OUVEM.

 

Tenho um Mestrado em Sexologia - que para eles, mesmo com o meu Cum Laudae, nada vale.

 

E ficam nessa mediocridade.

 

Uma pena!

 

Quem sabe o Ministro Temporão e o Beltrame do Rio, não lêm a Superinteressante?

 

 

Dra.Martha Freitas, MSc., Ph.D.

Gendercare Gender Clinic

Membro da HBIGDA/WPATH

Membro do board da OII

Membro do Board da WGC

Autora de Meu Sexo Real , Vozes, 1998

 

 

Olá, Dra. Martha!

Muito obrigada por sua resposta. Geralmente, prefiro fazer as entrevistas ao vivo ou por telefone, mas podemos fazer por e-mail também. Por isso, redigi as perguntas para a Sra. Caso ainda restem dúvidas depois dessas, podemos nos falar também?


Não sei se usei os termos corretos na hora da elaboração das perguntas. Se cometi algum deslize nos termos, por favor, me avise.


Muito obrigada pela ajuda!


Karin

 

2009/4/2 Torrwad <torrwad>

Karin

 

Saiu a Superinteressante com o assunto?

Considerou alguma coisa que conversamos?

 

Obrigada

 

Dra.Torres

Gendercare

 

 

From: Karin Hueck

To: Torrwad

Sent: Thursday, April 02, 2009 7:38 PM

Subject: Re: [Polesoft Antispam]Re: para completar

 

Oi, Dra. Torres, tudo bem?
A matéria saiu, sim, na edição que está nas bancas. Aproveitei algumas coisas da nossa conversa, embora não em forma de citações, mas sim, em forma de conceitos. Se a Sra. ler o texto, verá.
Mais uma vez, obrigada pela ajuda,
Abs,
Karin