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Sobre o Inicio - Anamnese
Nós começamos sempre o diagnóstico/avaliação com a consulta de anamnese
através de emails.
Através de emails podemos conhecer seus sentimentos,
seus sofrimentos e sua história, desde sua gestação, passando detalhadamente por sua primeira
infancia, até hoje.
Esses emails são seguros?
Nada na rede - como nada na vida - é 100% seguro.
A insegurança aumenta na rede pelo interesse, se existe dinheiro ou poder
envolvidos, e quando se disponibiliza publicamente os emails, que podem ser
usados para spam e por hackers para distribuição de virus.
No nosso caso, você nunca nos paga nada por email, nunca expõe senhas ou números
de cartão por emails, e nossas comunicações clínicas, todas elas, se dão por
emails não divulgados, alguns que nem você vai conhecer, e outros que deixamos
apenas nossos clientes conhecerem.
Assim, nossa comunicação é suficientemente segura, não havendo qualquer tipo de
divulgação do que nos passar, em nenhum sentido. Para nossos fins, cremos que
a segurança para este tipo de serviço está bem estruturada.
Não seriam melhores entrevistas "presenciais",
onde se poderia ter um contato humano mais próximo?
Sim e Não.
Para uma avaliação médica, o contato com o paciente é essencial. Como avaliar seu corpo, sem vê-lo ou poder tocá-lo para interagir com ele ou nele interferir?
Para uma avaliação
psíquica, ver o paciente e ter esse contato também é essencial. Esse contato é essencial quando se busca uma avaliação mental, uma verificação de saúde mental. Mas os casos de inaequação de gênero, dificilmente têm alguma relação com reais problemas mentais.
O que queremos avaliar? Sua história de vida, como ela se formou, o que aconteceu que pode ter levado a se desenvolver uma percepção inesperada do próprio gênero. Não desejamos avaliar sua saúde mental, nem nela iremos interferir. Queremos avaliar sua história para reconhecermos sinais que levantamos através de nossos testes, sinais dinâmicos, assinaturas típicas.
Para isso, para uma avaliação
de problemas como uma disforia de gênero - um mal estar com sua condição
existencial de gênero - NÃO SE
DEVE CONHECER O PACIENTE, e principalmente em nenhuma circunstância se deve VÊ-LO.
Porque não?
Ver o paciente é uma faca de dois gumes. Aproxima mais e
dá um maior calor humano para o contato, mas certamente estimula que interferências nocivas
para a avaliação tenham a oportunidade de se manifestar. O fato de vermos o paciente, como se mostra, como se
apresenta e
como se veste, ao contrário do que muitos imaginam, ATRAPALHA A AVALIAÇÃO E O
DIAGNÓSTICO.
A maior dificuldade na avaliação em variâncias de gênero, advém da presença, do contato e da influência
do avaliador sobre o avaliado e vice versa. O avaliado se encontra sempre numa situação de dependência e em princípio deve poder
ser influenciado.
Essa influência do terapeuta, suas idéias, suas posições ideológicas, pode ser extremamente danosa
nessa avaliação. O terapeuta de gênero - seja médico, psicólogo, psiquiatra, sexólogo ou assistente social - precisa
descobrir a realidade do paciente, e vendo-o, passa
a deixar que sua realidade pessoal, suas crenças, sua religião, seu ponto de vista político e ideológico, ou sua
linha de pesquisa e de desenvolvimento profissional - interfiram no juízo e finalmente na avaliação.
Vendo o paciente, a imagem externa do paciente impressiona, quando o terapeuta não deveria se
deixar impressionar - mas essa impressão instantânea e progressiva, faz parte de nossa natureza, não a podemos
evitar - nem podemos deixar de reagir a ela - e assim o fato de ver-se a aparência do paciente faz com que
o terapeuta desvie-se e deixe de reconhecer a realidade íntima do paciente.
Por exemplo, um paciente que se sente uma mulher e é muito peludo... se mostra
peludo, desengonçado, abrutalhado. Essa aparência externa vai impressionar o terapeuta e
poderá afetar o bom juízo sobre a realidade vivida pela paciente, que em sua auto-percepção pode se sentir uma
mulher.
Muitos grupos de "avaliadores" presenciais, mesmo em "equipes multidisciplinares", quando avaliam casos MtF-do
masculino para o feminino, só aceitam pessoas extremamente
afeminadas, com o estereótipo efeminado na avaliação. Isso é um erro, por isso a
avaliação pela internet é a melhor avaliação, porque não vemos o paciente, e não
nos deixamos impressionar por sua aparência, mas o avaliamos por como ele é em sua
realidade íntima, apenas.
O que nos interessa é conhecer a realidade do paciente, e essa ele mostra se recordando
e escrevendo, em sua solidão. Nossa presença apenas perturbaria essa memória, que
precisa de solidão, muitas vezes, para se descortinar.
Nossa presença perturba
o paciente, e a presença dele nos perturba.
A presença de um terceiro seria mais uma perturbação, que um aconchego. Não é
hora de aconchego, é hora de um duro exercício de memória e de instropecção.